Milhares de peixes escaparam da represa do Clube Castelinho na semana passada. Um defeito na comporta deixou o reservatório de água totalmente vazio. Parte dos animais seguiu a correnteza ou foi pescada; outros morreram atolados na lama e os menores ficaram em poças de água formadas no fundo da represa. Com a forte chuva registrada em Franca entre os dias 8 e 9, o Castelinho precisou esvaziar a represa para baixar o nível e conter a água da chuva, como um “piscinão”, evitando que ela transbordasse ou houvesse enchentes. Em Franca, num intervalo de 20 horas, choveram 57 milímetros, mais da metade do volume previsto para todo mês.
Na última sexta-feira, 11, dezenas de pessoas pescaram piaus, pacus, tilápias e matrinxãs no Córrego do Espraiado, onde a represa deságua. Utilizaram sacolas e latas para transportar os animais. As garças que vivem na região tiveram um verdadeiro banquete. Ruim foi para os vizinhos. Os peixes mortos e a lama provocaram mau cheiro durante todo fim de semana. Ontem pela manhã, num dos trechos do Espraiado, na Avenida Marginal, havia 40 peixes mortos. O cheiro estava forte.
A cozinheira Fátima Marques, 37, vive numa chácara próxima ao curso d’água e teve de suspender o preparo dos alimentos que vende por causa do fedor. “Meu marido teve de arrastar os peixes com um bambu porque a gente não aguentava o mau cheiro”. Essa não foi a primeira vez que populares pescaram no local. Em junho de 2007, a comporta foi aberta para retirada de resíduos do fundo da represa (desassoreamento) e os peixes escaparam. Várias pessoas foram até lá pescá-los.
Clóvis de Castro, presidente do Castelinho, se comprometeu a providenciar a limpeza da área. Há um ano, a represa foi repovoada com 15 mil peixes. Clóvis disse ser impossível calcular quantos animais foram perdidos. Ele estima prejuízo de R$ 11 mil, entre reparos na comporta e perda dos peixes. “As perdas não são só financeiras, mas para o meio ambiente. Foi um acidente”.
Em épocas de chuva, a represa deve ficar num nível de segurança para ajudar a conter as águas que recebe dos bairros e não transbordar. Para esvaziá-la, o clube tem autorização legal para acionar três dispositivos. Libera água nos extravasores, que ficam nas laterais da represa; abre o monge, que é semelhante a um conjunto de tábuas colocadas uma do lado da outra e que são abertas uma a uma para passagem da água, e abre a comporta.
Os três mecanismos foram usados entre terça e quarta-feira da semana passada porque choveu muito. A comporta, uma chapa de metal de 1,5 metro por 1,5 metro fecha uma manilha no fundo da represa, impedindo que a água vaze. Na semana passada, a estrutura que movimenta a chapa, entortou e a comporta não fechou mais. Os reparos demoraram um dia e meio. Com isso, toda água da represa foi embora e os peixes também. Desde sábado, o reservatório está enchendo novamente com as águas de três córregos que “morrem” nele. Levará uma semana para ficar cheio. O Castelinho pretende soltar mais peixes no local em outubro.
O promotor do Meio Ambiente Fernando Martins disse que “o fato não é de interesse para o Ministério Público porque é uma questão patrimonial do clube”. Até ontem pela manhã, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) não havia sido notificada sobre a ocorrência. O caso deverá ser averiguado hoje, pois ontem os técnicos estavam trabalhando em outra atividade.
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