Um projeto inovador que funciona em pelo menos quatro cidades do Estado de São Paulo será implantado em Franca dentro de dois anos: a instalação de uma usina de captação de biogás. A unidade será capaz de armazenar o gás que é gerado no aterro sanitário durante a decomposição do lixo e, depois de processá-lo, poderá vendê-lo. O biogás, que é altamente poluente, pode ser transformado em fonte de energia para indústrias de cerâmica, aviários (para aquecer as granjas de frangos) e companhias de energia elétrica, como a CPFL Paulista.
A usina também poderá negociar com empresas que têm metas de eliminação de gases causadores do efeito estufa para cumprirem. Pelo Protocolo de Kyoto (acordo internacional), essas empresas são obrigadas a compensar a poluição que lançam na atmosfera. Para fazer isso, a maioria utiliza os chamados “créditos de carbono”.
Esses créditos, na verdade, são títulos que comprovam a diminuição da poluição ambiental. Eles são emitidos pela própria usina. Quando liberado sem tratamento para a atmosfera, o biogás é extremamente poluente. Para reduzir a agressão ao meio ambiente, a usina promove sua queima. Ao fazer isso, diminui seu poder de poluição pois o processo transforma o metano (que corresponde a até 80% do biogás) em dióxido de carbono (elemento 21 vezes menos poluente) e vapor de água, gerando os chamados “créditos de carbono”.
Por convenção, cada tonelada de dióxido de carbono liberado pela queima equivale a um crédito de carbono. Esses créditos são negociados como ações na Bolsa de Valores ou em pregões públicos. Resumidamente, quem polui paga quem despolui. Os créditos valem bastante. No pregão realizado em São Paulo, cada tonelada foi comercializada por R$ 51,84.
A instalação da usina vem sendo estudada há dois anos. No dia 4 de setembro, foi publicado pela Prefeitura um edital com a empresa vencedora da licitação para operar a unidade no aterro sanitário da cidade. A Araúna Energia e Gestão Ambiental, de São Paulo, venceu a concorrência. A previsão é começar a operar em Franca dentro de dois anos. Nos próximos meses, a empresa se encarregará de conseguir as certificações junto a órgãos nacionais e à ONU (Organização das Nações Unidas), principal reguladora deste tipo de atividade.
Será instalada no aterro uma rede de tubulações. Poços para extração do biogás também serão abertos. No terreno anexo ao aterro, cedido pela Prefeitura, haverá equipamentos com controle eletrônico do processo (veja infográfico). A Araúna ficará responsável pela construção da estação. “As obras custarão entre 1,2 milhão de euros (R$ 3,3 milhões) e 3 milhões de euros (R$ 8 milhões). Dentro de um ano devemos iniciá-las”, disse Maurício Maruca, diretor da Araúna.
<p style="text-align: center;"><a target="_blank" href="http://francainsight.wordpress.com/files/2009/09/biogas-11.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-470" title="arte/comércio da franca" src="http://francainsight.wordpress.com/files/2009/09/biogas-11.jpg" alt="arte/comércio da franca" width="368" height="160" /></a></p>
<b>DIVISÃO</b>
O aterro de Franca recebe por dia 180 toneladas de lixo orgânico e 90 de industrial. Pelo contrato, a Prefeitura terá direito a 20% dos créditos de carbono negociados pela Araúna. “O projeto é fantástico. Poupa o meio ambiente e permite termos recursos para investir em obras ambientais, como a de revitalização do Jardim Dermínio”, disse o secretário de Serviços e Meio Ambiente Ismar Tavares.
A capacidade do aterro de Franca em termos de geração de energia é de um megawatt, suficiente para abastecer cerca de 4 mil residências. Ainda não foi divulgada como será a divisão da venda da energia.
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