Polícia indicia ex-vereador por concussão


| Tempo de leitura: 2 min
O ex-vereador Marcelo Mambrini foi indiciado na última quarta-feira pela Polícia Civil por concussão (exigir para si ou terceiros vantagem indevida). Ele é acusado de obrigar sua ex-assessora, Lara Cristina Rodrigues, a lhe repassar metade dos rendimentos que recebia pela função de assessora que ocupou na Câmara Municipal até o início do segundo semestre de 2007, quando Mambrini era vereador. Teriam sido repassados R$ 800 por mês durante cerca de um ano. Esta seria a condição para que ela mantivesse seu emprego. A mulher foi demitida em agosto de 2007. A investigação se arrastou por mais de 18 meses na Delegacia Seccional de Franca. O mesmo episódio rendeu ao político uma ação de improbidade administrativa movida pelo MP (Ministério Público) e que tramita na 1ª Vara Cível (Leia mais em texto nesta página). Mambrini nega a acusação. O ex-vereador diz ter sido vítima de perseguição política e que sua ex-assessora teria sido usada em uma armação contra ele para manchar sua imagem junto à opinião pública. A apuração que começou em dezembro de 2007 terminou na última sexta-feira depois que Mambrini foi ouvido no inquérito. De acordo com o delegado que preside as investigações, Alan Bazalha Lopes, o político teve duas oportunidades para contar sua versão dos fatos. “Primeiro, ele foi intimado e preferiu se manter em silêncio. Da segunda vez, veio espontaneamente e declarou que a ampla divulgação do caso na mídia transformou a denúncia em um trunfo para seus inimigos. Mambrini acredita também que foi por esse motivo que não conseguiu se reeleger”, disse Bazalha. Além do ex-vereador, durante as investigações, a polícia tornou a ouvir a ex-assessora, que confirmou a denúncia. Os policiais também pediram a transcrição das gravações de um vídeo-amador apresentado por Lara que seria uma prova dos pagamentos mensais. De acordo com o delegado, as cenas se passam no gabinete do ex-vereador a portas fechadas e mostram a assessora retirando R$ 650 da bolsa e dizendo que dará outros R$ 150 depois. “Em seu depoimento, ele alega que a quantia seria destinada ao pagamento de uma dívida, mas não tem provas que sustentem sua versão. Para a polícia, o vídeo foi uma evidência fundamental para seu indiciamento”, afirmou o Bazalha. O Comércio teve acesso à transcrição do vídeo. Com base nela, não é possível saber o que motivou a entrega do dinheiro. Procurado por telefone no fim da tarde da última sexta-feira, Mambrini não foi encontrado. O último contato conseguido pela reportagem com o ex-vereador aconteceu no dia 22 de agosto na sede francana da Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Estado de São Paulo, da qual é presidente. Na oportunidade, foi indagado sobre o caso, mas preferiu não dar declarações. O inquérito seguiu para o Fórum esta semana onde deve ser analisado por um promotor de Justiça. Caso seja denunciado, Mambrini deve responder pelo crime de concussão.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários