Quantas piadas você conhece de sogra? Sogro? Quantas de nora? Genro? Percebe? Difícil saber a origem. Podem ser reproduções de flagrantes da vida real, pura invenção ou exacerbação de fatos isolados. Porém...
Porém, sabe-se, esses títulos - sogra, sogro, nora, genro, neto, primo - são designativos de posições das pessoas dentro de uma família, segundo o sistema de parentesco ocidental. E tais designações, antes de qualquer avaliação social - ou moral -, se referem a seres humanos, pessoas, gente de carne e osso com sentimentos, idiossincrasias, deformidades, qualidades, peculiaridades. Nem anjos, nem demônios.
Particularmente acredito que há, na onda negativa de tudo que diz respeito à sogra, muito de preconceito e ignorância, como acontece em relação à imagem da madrasta. Aprendemos desde cedo, antes de aprender a ler, que a madrasta da Cinderela era má. Que a da Bela Adormecida mandou-lhe maçã envenenada e competia com ela. Deixamos de perceber as milhões de madrastas da realidade que cuidam dos filhos só do marido com cuidado e dedicação. Crescemos com mais medo de um dia termos madrasta que de perder a mãe...
Via de regra, a sogra é a vilã, a bruxa. Falou em sogra, imediatamente as imagens associadas são caldeirão fumegando, vassoura, sapo, gato negro. Há mesmo sogras do peru! Mas aposto que muito antes de possuírem esse status, elas, como pessoas, já apresentavam as tais características maléficas. Seria absurdo imaginar que tudo de ruim associado a elas desenvolve e cresce, em processo de geração espontânea, no momento em que são introduzidos na família o novo genro ou a nora. Inconcebível que num estalar de dedos elas passem a ser implicantes, invasivas, chatas, competitivas, agressivas, mandonas, autoritárias, mentirosas, tediosas, maçantes, antipáticas, falsas, cínicas e intrometidas...
"E do outro lado?", sempre me pergunto. E a nora, ou o genro? Considerados pobres e inocentes vítimas da desfaçatez da megera são sempre doces, compreensivos, gentis, delicados, corteses, nobres, generosos? Há muito ciúme permeando as relações humanas. Há muita inveja na base das construções familiares. Há muita rivalidade na dinâmica de grupos de amigos. Mas nada disso provoca piadas ácidas ou inspira dísticos de caminhão. Já o suposto ciúme da sogra, o hipotético invejar a nora e a imaginária rivalidade entre as duas, dá para passar a noite no boteco dando gargalhadas.
Confesso. Não entendo! As duas mulheres amam o mesmo homem, cada uma à sua maneira. Uma, é responsável por sua vida. Tem dele lembranças exclusivas desde antes do nascimento. Alimentou-o. Velou-o. Acompanhou-o todos os minutos e todos os segundos até que alcançasse autonomia. Outra, é sua escolhida entre todas as mulheres do mundo. Com ela passará o resto da vida. Ela deverá ser a mãe de seus filhos. Dormem juntos. Desfrutam de uma profunda intimidade, diferente de qualquer outra. São ambas, mulheres especiais. Searas diversas, diferentes tipos de relacionamento. Amores que muito mais se completam que se desarmonizam. Que química ocorreria, que corrente elétrica desfavorável se introduziu entre elas para provocar antagonismo, onde só deveria haver cumplicidade e conivência? Ciúme? Inveja? Rivalidade? Nada, porém, é mais agressivo que a hostilidade do homem pela mãe da esposa, esta sim, a vítima das maiores gozações. Indesejada, mal vista, rejeitada, repelida, não serve para outra coisa senão ser a protagonista das piadas mais infames.
Há quem diga que sogra deve manter a boca fechada e a carteira aberta. Uma amiga jura que encontrou a fórmula do bom relacionamento: bota água na boca quando entra na casa dos filhos, só engole quando termina a visita. Pode dar certo do ponto de vista da harmonia aparente. Mas ainda acho que bom mesmo é conversar para conhecer, ter e manter opiniões diferentes, exercitar respeito e tolerância, delicadeza no trato, guardar limites, pedir desculpas, se necessário. E perdoar, sempre que for preciso.
<b>ASPAS</b>
`Duas mães conversam. `Meu filho se casou muito bem! Minha nora se levanta mais cedo para lhe preparar o café, como os de hotel cinco estrelas! Ao sair do banho, encontra a roupa dobrada sobre o sofá, camisa impecável passadinha no cabide, meias sobre os sapatos, pasta na cadeira ao lado da porta de saída. Estou muito contente! E sua filha?`. Quase chorando, a outra conta: `Minha filha, coitada, está penando. Meu genro quer que ela se levante mais cedo para preparar o café, passar suas camisas, preparar sua roupa, deixar na porta sua pasta de trabalho! Um horror!`"
<b>DVD</b>
Tango Argentina é o título de um magnífico documento musical gravado ao vivo na capital portenha em dezembro de 2006. Daniel Barenboim rege a Orquestra Filarmônica de Buenos Aires e, em algumas músicas, tem como parceiro Leopoldo Frederico y su Orquestra Típica. Apresenta obras de Piazzolla, Gardel, Le Pera e de outros compositores de tangos e milongas do cancioneiro argentino. Noventa e seis minutos de enlevo garantido.
<b>TOP OF MIND</b>
Amanhã, sábado, 12 de setembro, a festa que se destaca no calendário social da cidade. Considera-se evento de sucesso a somatória de boa comida, bela decoração, música animada, mais farta e adequada distribuição de bebida. Quando se tem antes um estímulo, um incentivo para sua realização aí a festa só pode ser de arromba... Dizem, o buffet escolhido vai se superar. A decoração está magnífica, a música impecável e a bebida já está no ponto. Além disso, serão homenageadas pessoas que fazem a cidade, nomes que ficarão gravados na história francana.
<b>PERGUNTAS</b>
`Há apenas quatro questões na vida: o que é sagrado? De que é feita a alma? O que vale a pena ser vivido? Qual é o motivo pelo qual vale a pena morrer?`. E há apenas uma resposta para todas elas, segundo D. Juan de Marco. Sônia Maria de Godoy apresentará neste sábado, dia 12, palestra na sede campestre do Centro Médico sobre o filme que retrata o lendário conquistador. Vai, com certeza, comentar essas (e outras) perguntas.
<b>Lúcia Helena Maniglia Brigagão</b>
<i>Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras</i>
luciahelena@comerciodafranca.com.br
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