Obras na curva da morte


| Tempo de leitura: 3 min
Homens entrelaçam barras de ferro que serão usadas em bases e estruturas dos três viadutos que serão construídos
Homens entrelaçam barras de ferro que serão usadas em bases e estruturas dos três viadutos que serão construídos
Aos poucos as máquinas vão desbravando o caminho. O ronco dos motores contrasta com a tranquilidade da paisagem. Homens entrelaçam barras de ferro, cavam buracos, derrubam árvores. Ao fundo, as águas do Rio Grande completam o cenário. Uma estrada de terra ainda cheia de pedras e encharcada pelas últimas chuvas esboça o trajeto da futura pista. A base para receber os viadutos começou a ser preparada. O canteiro de obras parece um formigueiro. Um mês após começarem, as obras na curva da morte estão em ritmo acelerado. É preciso acabar o serviço em um ano. Ao lado dos peões e dos pesados tratores, lembranças das tragédias seguem vivas. Impossível ver destroços abandonados ali por perto e não se lembrar do ônibus que despencou na serra de Rifaina, em 2002, matando 20 pessoas. Depois de quase uma centena de mortes e de incontáveis promessas políticas, as obras para eliminar a curva da morte começaram no dia 3 de agosto. Serão construídos três viadutos e uma pista nova no trecho de descida. A pista atual será usada como mão única para subir a serra. O investimento previsto é próximo de R$ 28,5 milhões. Pelo contrato assinado entre o Estado e a empreiteira responsável, a obra tem de ser entregue em um ano. Na manhã de ontem, a reportagem visitou o canteiro de obras instalado bem abaixo da curva, onde carros, caminhões e ônibus já despencaram. Apesar do tempo ruim, os serviços seguiam a pleno vapor. Um exército formado por cerca de 70 homens está trabalhando no local. São engenheiros, encarregados, motoristas, mecânicos, armadores e operadores de máquina. Têm à sua disposição, uma frota de 29 equipamentos - que pode aumentar ou reduzir dependendo da necessidade - entre escavadeiras, motoniveladora, trator de esteira, rolo compressor, caminhões e geradores. “No momento estamos fazendo a terraplenagem e as fundações onde serão construídos os viadutos. Parte da equipe está preparando as ferragens que serão usadas nas bases e estruturas de concreto”, contou o encarregado Francisco Toni de Oliveira. <b>VEJA AS FOTOS:</B> <embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://picasaweb.google.com/s/c/bin/slideshow.swf" width="400" height="267" flashvars="host=picasaweb.google.com&captions=1&hl=pt_BR&feat=flashalbum&RGB=0x000000&feed=http%3A%2F%2Fpicasaweb.google.com%2Fdata%2Ffeed%2Fapi%2Fuser%2Fblogsgcn%2Falbumid%2F5380181914070704225%3Falt%3Drss%26kind%3Dphoto%26hl%3Dpt_BR" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer"></embed> Esta primeira etapa do serviço deve demorar em torno de dois meses. Em caso de chuva, as máquinas precisam ser desligadas. O próximo passo será levantar os pilares dos viadutos. A pista virá em seguida. Com a base montada em Rifaina, os funcionários só param no domingo. É o dia em que voltam para casa para rever a família. “Sempre que posso, vou para São Joaquim da Barra, onde moro”, disse Josenildo Ribeiro. Entre um serviço e outro, os trabalhadores sempre se deparam com pedaços de pára-choques, faróis quebrados, borracha, madeira, peças não identificadas, pedaços de roupas e retalhos de pisos e telhas. É o que restou de acidentes ocorridos na serra. Próximo ao canteiro de obras não é preciso andar muito para encontrar jogado em alguns arbustos o teto de um ônibus. Dizem que era do ônibus de estudantes da Unifran que caiu no local há sete anos. [FOTO2] <b>PERIGO</b> A se julgar pelo o que acontece na serra todos os dia, novos destroços podem se juntar à coleção. Homens e máquinas trabalhando, curva perigosa, placas de orientação, cruzes indicando que ocorreram mortes por todo o trecho da pista. Nada disto parece ser suficiente para conscientizar os motoristas que descem no sentido a Rifaina. “Quase todos os dias, a gente vê carros e caminhões descendo com uma velocidade de assustar. Infelizmente, ainda há muito motorista imprudente”, contou Joaquim Sequeiros, responsável pela parte mecânica da empreiteira. As obras estão em andamento e a curva da morte tem prazo para acabar. Falta o motorista começar a fazer sua parte.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários