Deficientes, aposentados e representantes da sociedade em geral lotaram as dependências do plenário da Câmara Municipal na tarde de ontem. Até as mesas destinadas aos vereadores foram ocupadas pela platéia. A presença de cerca de 300 pessoas foi motivada pela discussão entre os vereadores sobre o fim das isenções nas tarifas do transporte público. Após duas horas de debates, a Câmara decidiu que enviará uma indicação ao prefeito para que apresente um projeto de lei visando regularizar a situação. Representantes da empresa São José também serão convocados para prestar esclarecimentos.
A audiência pública convocada pelo Legislativo Municipal serviu mais de palanque para políticos e aspirantes a cargos eletivos se promoverem do que propriamente para resolver a questão. Na prática, as duas medidas anunciadas pelos vereadores representam apenas apoio político à pressão popular e não têm peso para obrigar a volta da gratuidade.
O vereador Silas Cuba (PT) não perdeu a oportunidade de criticar a empresa São José. “A empresa sabia das isenções concedidas. Ela ganhou a licitação, aumentou o preço das passagens e depois traiu o povo francano”, disse o petista.
O aposentado Hélio Francisco de Souza foi à Tribuna e “deu duas semanas de prazo” para o prefeito restabelecer a gratuidade. Caso contrário, irá às ruas protestar.
Deficientes também discursaram e relataram suas dificuldades. Antônio Carlos da Silva, presidente da Associação dos Cegos, sugeriu que o prefeito mande um projeto para a Câmara. “É só aprovar e pronto. Acaba com esta confusão”. A assistente social, Elza Maria Santos, falou em nome da Santa Casa e do Hospital do Câncer. “É preciso resolver o problema com rapidez. Muitos pacientes estão deixando de fazer o tratamento por falta de transporte”.
Para o vereador Paulo Afonso Ribeiro, a solução do impasse dependeria da vontade de Sidnei Rocha. “Se a empresa alega que há vício de iniciativa nas leis aprovadas no passado, é só o prefeito encaminhar o projeto à Câmara. Vamos aprovar e resolver o problema”.
O presidente da Câmara, Joaquim Pereira Ribeiro (PSB), disse que, se não for derrubada a lilminar que suspendeu a gratuidade atingindo 10 mil pessoas e se o prefeito não encaminhar o projeto, ele deverá entrar com uma medida cautelar contra a empresa. “A São José assinou um contrato onde está prevista a gratuidade. É um direito assegurado”.
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