Governo implanta barreira para frear importações de calçados chineses


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<b>ESFORÇO RECOMPENSADO</b> -  O empresário Elcio Jacometti, o prefeito Sidnei Rocha e o presidente da Abicalçados, Milton Cardoso, foram a Brasília pressionar o governo na última semana: ontem foram anunciad
<b>ESFORÇO RECOMPENSADO</b> - O empresário Elcio Jacometti, o prefeito Sidnei Rocha e o presidente da Abicalçados, Milton Cardoso, foram a Brasília pressionar o governo na última semana: ontem foram anunciad
O setor calçadista foi contemplado, ontem, com uma medida reivindicada há anos. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) publicou decisão no Diário Oficial da União aplicando barreiras para brecar a entrada do calçado chinês no Brasil. Durante os próximos seis meses as importações provenientes da China terão de pagar uma alíquota de US$ 12,47 por par. “As medidas restabelecem o equilíbrio na competição e punem aqueles que depredavam a indústria brasileira. Tenho certeza de que injetará um novo ânimo nas indústrias da região de Franca”, resumiu o empresário Milton Cardoso, presidente da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) e que atua como superintendente do grupo Vulcabrás/Azaléia. Na prática, a medida fará com que os produtos chineses - geralmente mais baratos por terem uma qualidade inferior - fiquem mais caros. Assim, os brasileiros acreditam que, quando a disputa deixar de ser apenas o preço do produto e passar a ser também a qualidade, vão ganhar a preferência do consumidor. Como resultado, a demanda deve aumentar e, consequentemente, a produção e o número de empregos gerados. O presidente da Abicalçados classificou como corajosa a medida do governo federal e voltou a afirmar que o setor calçadista responderá com a geração de mais empregos para compensar os postos fechados nos últimos meses em razão da competição desleal. A medida implantada pelo governo federal já está em vigor. Desde ontem, os calçados importados da China já pagaram a alíquota para entrarem no Brasil. A taxa vai incidir sobre calçados femininos, masculinos, infantis e esportivos. Estão de fora os calçados de plástico injetados em uma só peça, médico-hospitalar, segurança do trabalho, sandálias praianas e os de uma linha específica para bebês. A investigação que apura a prática de dumping (concorrência desleal) será encerrada em dezembro, quando deverão ser implementadas as tarifas definitivas que vão vigorar por cinco anos. “Vamos continuar lutando para a aplicação de um valor maior, de US$ 18,44 o par, que foi tecnicamente apurado”, finalizou Cardoso. Ao tomar conhecimento da publicação das medidas, o presidente da Abicalçados telefonou para o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) e transmitiu a esperada notícia. “Em geral o calçado chinês no Brasil vai custar de quatro a cinco vezes mais do que o seu preço original de importação. Foi uma vitória para os calçadistas brasileiros. Estou satisfeito e motivado com esta notícia”, disse o prefeito. José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), comemorou a implantação das medidas e disse que a decisão é resultado de um trabalho conjunto do setor calçadista nacional. “Vamos fazer nossos cálculos para ver qual será o reflexo na nossa indústria. Acredito que a repercussão positiva será imediata. É um grande avanço sem dúvida”, disse. “Certamente refletirá num aumento do volume de exportações, o que trará reflexos positivos para a economia neste pós-crise”, completou o deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB).

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