É preciso muito mais do que talento para ser ator. Entre os pré-requisitos estão dedicação, boa comunicação, disciplina, sensibilidade, determinação e... um bom desodorante. Você terá que suar a camisa.
Quem vê os atores de televisão e filmes com todo o glamour que os envolve talvez não faça ideia do caminho percorrido até chegar a fama. Dois dedos de prosa com qualquer astro, com raríssimas exceções, confirma a tese. Não tem sorte e nem segredo: é amor à arte, dedicação, dedicação, dedicação e dedicação. Em Franca hoje são mais de 30 grupos de teatro amador. Em comum eles têm o sonho de viverem da profissão que amam, mas não é tão fácil assim.
Junto há mais de dez anos Amanda Alves, Fabrício Floro e Ricardo Martins buscam seu lugar ao sol. Começaram em um grupo pequeno de uma universidade em Franca e não pararam mais. O grupo acabou, o sonho não.
Amanda, a mais nova da trupe, tinha apenas nove anos e já tinha certeza do caminho que queria trilhar: ser atriz. Hoje, com 19 anos, ao lado dos dois amigos faz parte de uma companhia de teatro profissional, a Companhia das Cenas, em Ribeirão Preto.
Com exceção da garota, eles vivem com o que ganham. Atualmente encenam cinco peças diferentes em apresentações realizadas pelo interior de São Paulo. Conseguem até R$ 1,5 mil por mês. O lado negativo é que não dá para saber quanto vai se ganhar. Alguns meses, como nas férias, por exemplo, não se apresentam nenhuma vez. Por isso, salário zero.
Amanda trabalha em uma fábrica de cintos como planejadora. Ela conta com a cooperação dos patrões e dos colegas de trabalho para se dedicar às duas profissões. Na semana que vem, por exemplo, ela viaja por uma semana com uma peça.
O esforço vale a pena. O grupo vem sendo premiado por onde passa. “A Rosa do Povo”, na qual Ricardo contracena com Fabrício e “Feliz Ano Novo”, monólogo de Amanda, ficou em cartaz no espaço Satyros, em Santo André e foi elogiada pela crítica local. O estilo do grupo é variado e vai do monólogo aos textos literários encomendados pelo Sesc. A Companhia das Cenas já recebeu prêmios no Mapa Cultural Paulista, promovido pelo governo do Estado, e no Festival de Santos.
Em cartaz atualmente estão “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, “A Rosa do Povo”, “Feliz Ano Novo”, “A cigarra e a formiga” e “A agulha e a Linha” (inspirada no conto Um apólogo de Machado de Assis). O grupo se apresenta amanhã em uma escola de Ribeirão Preto, no dia 19, em Orlândia pelo Mapa Cultural; em novembro, no Theatro Pedro II, em Ribeirão e nas unidades do Sesc de Campinas e Araraquara. Em Franca, o grupo deve apresentar “Vidas Secas” no dia 6 de outubro.
Os atores estudam a possibilidade de apresentar “Vidas Secas” e “Feliz Ano Novo” no primeiro semestre de 2010 na Suíça. O diretor de arte da companhia, Rodrigo Soares, que viveu 13 anos no país europeu, está finalizando os contatos por lá.
A curto prazo os planos dos atores incluem terminar a faculdade que fazem Letras, no caso de Fabrício e Amanda e Publicidade no caso de Ricardo. Com diploma na mão, a ideia é cair na estrada.
<b>A CARREIRA</b>
O ator tem a responsabilidade de encarnar um personagem, dar vida a ele e convencer o público de que o que se vê no palco é a realidade. Esse é o desafio seja o tema alegre, triste ou dramático. O trabalho do ator não é tão simples. Ele precisa antes de tudo conhecer o personagem que vai compor. Os textos têm que ser tão lidos que na apresentação da cena não se possa distinguir a realidade do imaginário. E isso só é possível com muito ensaio. O ator pode trabalhar em áreas diferentes como cenografia, que é a elaboração dos cenários, cores e iluminação, direção teatral, dramaturgia, dublagem, produção ou a interpretação.
Hoje, o ator ou atriz precisa ter um registro profissional chamado DRT. Ele pode ser conseguido com um curso superior na área ou então provando experiência. Amanda, Fabrício e Ricardo estão nessa fase. Eles estão documentando os trabalhos que já realizaram nos últimos dez anos com folders, cartazes e matérias divulgadas em jornais. De posse de tudo querem o documento que reconhecerá o esforço de todos.
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