Jesus vem curar


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O 23º domingo do Tempo Comum que celebramos nos oferece as seguintes leituras da Palavra de Deus: Isaías 35; Tiago 2 e Evangelho de São Marcos 7. Na primeira leitura o profeta Isaías compõe um oráculo e o oferece aos israelitas que se encontram na Babilônia. Abatidos e desanimados eles se lembram de seus parentes, das suas casas e de suas lavouras em chamas, da sua terra deserta e de toda destruição sofrida. A resposta do profeta é uma mensagem de esperança para estas pessoas aflitas. Começa com palavras muito reconfortantes: "Coragem! Não temais! O vosso Deus vem para vos salvar e continua com o anúncio de mudanças extraordinárias: se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um cervo e a língua do mundo dará gritos alegres". As promessas contidas nesse maravilhoso trecho começaram a se cumprir com a vinda de Jesus, mas não se realizaram em toda a sua plenitude durante a sua vida. Os seus discípulos, nos dias de hoje, são convocados para levar a cabo a sua obra. O sinal da chegada do Reino de Deus neste mundo é a vitória contra toda forma de enfermidade física ou espiritual, contra qualquer forma de escravidão e contra todas as situações nas quais a dignidade do ser humano é atingida. A 2ª leitura nos apresenta o pensamento de Tiago sobre o pecado da prática da discriminação que podemos cometer em nossa vida. É verdade que existem no mundo pessoas que por causa de riquezas e de poder se sentem melhores do que as outras e são aplaudidas, digam ou façam o que quiserem. E existem os pobres que não possuem os mesmos privilégios. Na Bíblia, pobres não são só aqueles que não possuem bens materiais, mas também os menos favorecidos na vida: os doentes, os que não puderam receber uma instrução mais elevada, os que têm um gênio muito problemático, as pessoas marcadas por muitos fracassos, os que são marginalizados por causa de seu temperamento difícil... Todas essas pessoas que os homens deixam de lado, deveriam ter um lugar de destaque no seio da comunidade cristã e ser merecedores de maiores delicadezas por parte dos outros. Os discípulos de Cristo são chamados a provar que têm critérios de julgamento diferentes daqueles adotados pelo mundo. Se não nos esforçamos para externar também em público a fraternidade que celebramos dentro da igreja, os nossos rituais impecáveis, as nossas solenes cerimônias, corremos o risco de constituirmos uma farsa. Devemos então concluir que somos hipócritas? Certamente que não! Somos somente fracos e pecadores. As nossas assembléias, reunidas no dia do Senhor, não manifestam exatamente o que já somos mas aquilo que deveríamos ser: nos lembram como deve ser o mundo novo que devemos construir, um mundo no qual todos os homens se sintam de fato irmãos, com dignidade e direitos iguais; um mundo no qual também aos últimos seja proporcionada a possibilidade de encontrarem compreensão, amor, estima. No evangelho Jesus cura um surdo-mudo. Quem é o surdo-mudo? É o homem impossibilitado de relacionar-se com os outros: não pode ouvir o que lhe é dito e, evidentemente, não pode transmitir... o que não ouviu. Vive isolado, fechado em seu mundo. No tempo de Jesus todas as doenças eram consideradas como um castigo de Deus, mas a surdez era até mesmo uma maldição porque não permitia escutar a Palavra de Deus proclamada nas sinagogas. No Evangelho de Marcos esse homem assume um significado simbólico: representa todos os homens que têm os ouvidos fechados à Palavra de Deus. Os homens ensina Paulo não alcançam a fé através de visões ou de mensagens dos anjos, mas através da escuta da Palavra. Ao curar o surdo-mudo Jesus quis ensinar, sobretudo, que teve início um novo diálogo entre o céu e a Terra. A todos os homens, judeus e pagãos, são descerrados os ouvidos e o coração: agora todos podem escutar o evangelho, acolhê-lo na fé e anunciá-lo aos irmãos. A cura operada por Jesus tem mais um significado: representa o começo de um novo relacionamento que deve ser estabelecido entre os homens, é o sinal do encontro, do diálogo, da compreensão. É surdo e mudo aquele que não se relaciona com outros homens, que se enclausura em si mesmo, na persuasão de já possuir toda a verdade e de já não ter mais nada a aprender. O trecho de hoje nos dá a garantia de que a Palavra de Deus tem o poder de curar qualquer forma de surdez e de mutismo. As nossas comunidades estão convocadas para repetir, em nome de Cristo, o milagre de abrir os ouvidos, a boca e o coração de todos. A última parte da narrativa descreve, em detalhes, o resultado da intervenção milagrosa de Jesus e se encerra com um "coro final": a multidão canta a própria alegria porque se cumpriu a profecia de Isaías: Deus fez os surdos ouvirem e os mudos falarem. Esse grito de gratidão é a profissão de fé da comunidade que viu mais um irmão chegando à salvação. Ele agora pode participar da assembléia que se reúne no dia do Senhor e se une aos irmãos para escutar a Palavra e proclamar as obras maravilhosas de Deus. Ele fez a experiência da força renovadora que o contato com Cristo comunica e vê renovar-se, para si e para os outros, aqueles mesmos gestos que lhe infundiram a salvação. MÊS DA BÍBLIA O mês de setembro é celebrado pela Igreja Católica como o mês da Bíblia. A palavra de Deus é a carta de Deus para todos os seus filhos revelando-nos Seu infinito amor. Deus nos trata como "amigos" e isso na Bíblia está muito claro. Tenhamos a Bíblia como nosso livro de oração, reflexão e luz em cada dia. PENSAMENTO "Tudo posso naquele que me fortalece" (Fl 4,13). José Geraldo Segantin Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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