Tente imaginar algo diferente da cena descrita a seguir: você chega em casa, vindo do trabalho, da faculdade ou de qualquer outro lugar, liga o computador e imediatamente acessa sua caixa de e-mail, comunicador instantâneo, baixa músicas, filmes, lê notícias, confere as últimas de alguma personalidade, estuda, pesquisa, se diverte. A internet, a rede que interliga bilhões de usuários ao redor do planeta completou 40 anos em 2009, sendo considerada por muito a maior revolução tecnológica do século, mais que a própria invenção do computador, como se uma coisa estivesse dissociada da outra.
Para quem tem menos de 30 anos já começa a ficar difícil imaginar como era a vida pré-internet. Pouca gente se lembra o que significava ligar um computador até pouco mais de 10 anos atrás. A limitação da máquina, com softwares e hardwares impensáveis para os dias de hoje, a tornava uma peça estanque, sem qualquer possibilidade de comunicação com outros terminais, a não ser pelos velhos disquetes com impressionantes memórias de 1,4 mega.
Até 1990, a internet significava pouca coisa. Quatro ou cinco anos depois, começou a surgir em empresas e redações no formato BBS (Bulletin Board System). Lembro quando o jornal em que eu trabalhava, em Presidente Prudente (SP), comprou um programa de BBS a peso de ouro para receber notícias em (quase) tempo real. Em um canto da redação, um computador com a tela verde, semelhante à aparência dos sistemas DOS mostrava, minuto a minuto, a evolução das notícias do mundo todo, via agências noticiosa. Olhando para aquela geringonça, ninguém podia prever que poucos anos depois a vida, o mundo, os relacionamentos humanos seriam definitivamente alterados por uma simples palavra: internet.
Foi na Universidade da Califórnia (EUA) que tudo começou. Na tarde de 2 de setembro de 1969, um pequeno grupo de pessoas estava ladeando dois computadores que assombrosamente trocavam dados entre si, ligados por um cabo de 15 metros de comprimento.
Algum tempo depois vieram os e-mails, ainda restritos a grandes corporações e órgãos militares. Criados os IP, sigla em inglês para protocolo de internet, foi possível conectar diversas redes que passaram a se comunicar entre elas. Na década de 80, vieram as extensões ‘.com’, ‘.org’. ou ‘.gov’ que deram início ao direcionamento de acessos conforme a categoria do site pretendido.
Em períodos posteriores, mas sempre com muito menos tempo que outras tecnologias levaram para se desenvolver, surgem os provedores como America Online e Universo Online, para ficar apenas nesses dois, que dissolveram a ideia de barreiras geográficas para o conhecimento.
Desde o começo, o desafio representado pela internet foi sendo vencido com voracidade. Ao lembrar daquele único computador para uma redação inteira e de como cada terminal precisava de uma linha telefônica exclusiva para acessar a rede, o barulhinho da conexão por telefone vem imediatamente à memória. Era penoso, demorado e enchia o saco esperar aquela musiquinha que martelava na cabeça terminar para ver se a página abriria. E quase nunca abria.
Bem é verdade que Len Kleinrock, tido como a principal cabeça daquela equipe da Universidade da Califórnia, naquele momento não via como filmes, livros e pacotes gigantescos de dados pudessem ser inseridos e consultados por homens, mulheres e crianças em qualquer parte do mundo. Muito menos que sua invenção guiaria mísseis nucleares, orientaria aviões, estimularia a pornografia, ampliaria a rede de telefonia e comunicações em geral, permitiria que famílias, amigos e namorados matassem a saudade e encontrassem qualquer pessoa do hemisfério norte disposta e acessível para um ‘hello’ com alguém do hemisfério de baixo.
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