Estresse no trabalho: uma questão preocupante


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A cena é comum. O funcionário chega para trabalhar numa segunda-feira depois de um belo fim de semana de folga e, ao ligar o computador, já está reclamando que a máquina demora a funcionar. Com os colegas mal se comunica e antes que a primeira hora da manhã termine, a vontade é de ir embora para a casa. No final do dia, as dores nas costas estão insuportáveis e a respiração não é das mais agradáveis. Ao chegar em casa, não consegue se desligar e fala sem parar de tudo o que não deu certo na empresa e como gostaria de estar bem longe dela. A descrição acima é simplista demais e um tanto quanto reduzida de como podem ser notados os primeiros sinais de estresse no trabalho. O problema, que não é novo, vem tomando cada vez mais lugar nas pautas de discussões de especialistas em saúde mental e há pouco tempo, a partir da década de 1950, passou a ser estudada pela literatura médica. Para Idalberto Chiavenato, estresse é um conjunto de reações físicas, químicas e mentais de uma pessoa que decorrem dos estímulos encontrados no ambiente. No trabalho, as duas principais fontes de estresse podem ser ambientais e pessoais. Formado em psicologia ambiental pela Universidade de São Paulo, Chiavenato é um dos autores brasileiros mais conhecidos na área de administração de empresas e recursos humanos, tendo escrito perto de 30 livros sobre o assunto. O estresse no trabalho, diz o autor em seu livro Gestão de Pessoas (Ed. Campus), provoca sérias consequências para o empregado e para o empregador, que incluem ansiedade, depressão, angústia e vários desdobramentos físicos, como distúrbios gástricos e cardiovasculares, dores de cabeça, nervosismo e acidentes. Nos casos mais graves, aparecem o uso de drogas, alienação e eliminação das relações interpessoais. Frequentemente associado a postos de liderança ou de cargos com grandes responsabilidades, o conceito de estresse disseminou-se de tal forma no mundo do trabalho que é praticamente impossível diferenciar quem está mais sujeito ou não a ser o estressado da vez. É certo que algumas profissões exercem uma pressão sobre o trabalhador muito maior que outras. Estão na lista das mais estressantes as de policial, segurança, bancária, motoristas de ônibus. Os jornalistas também não escapam. Mas será que existe um ambiente saudável a ponto de o empregado poder dizer que está no melhor dos mundos? A psicóloga e professora da Unifran (Universidade de Franca), Cléria Bittar Bueno, 42, acredita que sim. Para ela, esse lugar deveria estabelecer condições de trabalho e relacionamentos em que a colaboração fosse maior que a competição, com regras claras, normas sobre o que cada indivíduo deve cumprir, um espaço de confraternização, onde, depois do batente, as pessoas tivessem prazer em se encontrar seja para uma noitada entre amigos ou para a participação em grupos de estudo ou de aprofundamentos. O estresse, diz Cléria, não pode ser considerada uma patologia, mas é o caminho mais curto para doenças físicas ou psicossomáticas, que pode ou não estar associada à depressão, que muitas vezes pode vir acompanhada de ansiedade e agitação. Na definição da professora, cujo assunto foi o tema de sua dissertação de mestrado, o conceito de estresse foi importado da física pela saúde. Explicando melhor: “O estresse na física é quando um corpo é submetido a uma pressão absurda para ver até onde ele resiste e aguenta”, disse ela. A partir da década de 1970 é que se chegou à conclusão de que o estresse fazia as pessoas adoecerem.

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