A lista dos fatores que desencadeiam uma crise de estresse emocional no trabalho pode ser tão longa quanto os sintomas que as pessoas nestas condições apresentam. Assim, um luto em família ou amigo próximo, a mudança de cidade ou de função, o assédio moral, a demanda por dinheiro e a incapacidade de lidar com alguns problemas - muito comum em homens, que evitam demonstrar fraqueza - são uma ínfima parte do que pode mandar um trabalhador do escritório para um consultório médico.
“O trabalho é o lugar em que mais há condição de se desenvolver os sintomas do estresse. Você nunca está sozinho, tem que concorrer com outras pessoas, existe a inveja, a ‘puxação de tapete’. Quanto mais pessoas transitando nesse campo, maior a chance de o problema aparecer”, completa Cléria Bittar.
A bancária Gisele (nome fictício, a pedido da entrevistada) sabe bem o que é isso. Com expediente de oito horas diárias, ela nem reclama da competitividade dos amigos, mas do ambiente de trabalho. Todos os dias atende uma quantidade grande de pessoas com todos os tipos de problemas imagináveis.
Além da dificuldade em lidar com o público, há a pressão da gerência para o cumprimento de metas em seguros, em cotas de crédito, entre outras exigências. “Ninguém vem feliz ao banco. As pessoas só estão aqui para resolver um problema. E isso vai sugando toda a sua energia. O estresse passa todo pra gente”, reclama ela, que encontra no ioga o ponto de equilíbrio necessário para ainda cuidar da casa e da família.
Ao final, vale a dica: além de todas as dicas que acompanham essa reportagem, o conselho da professora Cléria Bittar é importante: “Saiba agir nos momentos certos. Quem age é senhor da situação. Quem só reage, é um escravo dela”.
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