Aproveitar o tempo


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Não é raro a gente se pegar dizendo que não pode fazer isso ou aquilo por falta de tempo. Creio até que, no fundo, nos damos ares de importância ao proferir o `não tenho tempo, ando ocupado`. Comigo não é diferente. Mas é um grande erro. É preciso administrar melhor o tempo. Na vida há coisas para as quais é preciso achar tempo e outras que podem esperar. Quando falta tempo para certas coisas, é sinal de que se está gastando mais tempo do que se deve com outras. O trabalho é importante, mas o lazer também. Se utilizarmos mais tempo do que o necessário com a vida profissional, vamos deixar sem atenção a família, os amigos, a nossa saúde. Há outros bens importantes na vida além do trabalho. Se este monopoliza nosso dia, algo está errado. Nos filmes policiais é comum ver tiras que se envolvem tanto nos casos investigados que acabam deixando sem atenção a mulher, os filhos, e por isso logo a família se desfaz. No último `Duro de Matar`, um garoto diz ao detetive interpretado por Bruce Willis que ele é um herói; este responde que perdeu a mulher e que os filhos não falam com ele; bela vantagem ser "herói". É irônico que, com tantas invenções e inovações tecnológicas que propiciam maior rapidez na realização de várias tarefas, a gente se embarace pela falta de tempo. Dizem que falta de tempo é a desculpa de quem o perde por falta de método. Não sei se isso se acontece em todos os casos, mas na maioria sim. Ter dinamismo é uma qualidade, mas não se pode ficar obcecado pela ideia de que é necessário estar sempre produzindo, feito aquelas máquinas que precisam ficar ligadas ininterruptamente. É indispensável permitir-se o ócio para repor as energias. O cérebro humano é um arquivo com enorme capacidade de armazenar e processar informação e conhecimento; sempre cabe mais. Entretanto, para funcionar bem, precisa de repouso; do contrário, entra em pane. Por isso é necessário dividir o tempo de forma que seja possível executar as várias atividades e ainda ter momentos de descontração. É bom saber separar o que tem premência do que pode esperar. Há certas coisas realmente importantes, para as quais vale a máxima `não deixe para amanhã o que deve ser feito hoje`. Para outras, fúteis, o ditado é `não deixe para amanhã o que se deve fazer depois de amanhã`, ou seja, nunca. O tempo é como nosso salário. Não se deve comprometê-lo todo; gastos imprevistos sempre surgem e é preciso ter uma reserva. É essencial controlar as despesas, levar vida compatível com os ganhos. A grandeza da pessoa se revela nos seus atos e não nos seus bens materiais. Endividar-se além da capacidade de pagamento, só para mostrar ostentação e aparentar falsa prosperidade financeira, além de insensatez, é perda de tempo. Logo vem a situação de insolvência e, com ela, passa-se a perder tempo fugindo dos credores, tentando levantar dinheiro. Se a receita é menor do que as despesas, ou se encontra um meio de obter mais receita ou então se cortam despesas. Com o tempo é assim também, só que na vida não é possível parar o cronômetro como se faz no basquetebol quando a bola está fora de jogo; não há meio de fazer o dia ter mais de 24 horas; se neste período não dá para encaixar todos os compromissos, então se devem reduzi-los. Deixar de gastar tempo com futilidades ajuda muito; evitar criar problemas, idem, pois os que temos já nos ocupam demasiado. Os obstáculos que existem já não são poucos, não precisamos de mais. Paulo Pereira da Costa Promotor de Justiça e autor do livro `Pensando na Vida` – paulopereiracosta@uol.com.br

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