A sapateira Daniela de Souza Félix, de 22 anos, morreu na noite de quarta-feira no Hospital Regional de Franca. Não restam dúvidas: ela morreu em decorrência da gripe A (H1N1). A doença foi confirmada pelo secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, e pelo diretor-clínico do Regional, Paulo Silva Santos.
Daniela foi internada no dia 20 de agosto, grávida de sete meses, com pneumonia. Debilitada, seu quadro de saúde evoluiu para uma insuficiência respiratória grave. Seu parto precisou ser antecipado e o bebê nasceu de cesariana. Daniela e a criança seguiram hospitalizados. Ela respirava com a ajuda de aparelhos na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Na última quarta-feira, sofreu duas paradas cardiorespiratórias, não resistiu e morreu às 19h30 horas. O bebê passa bem e deve ser liberado nos próximos dias.
Daniela havia ficado internada na Santa Casa entre os dias 17 e 19 de agosto. Teve alta médica com o diagnóstico de infecção urinária. No dia seguinte, ela procurou o Hospital Regional queixando de febre, tosse e falta de ar. Um exame detectou a pneumonia. Ela foi internada e medicada com tamiflu - remédio específico no combate à gripe suína - e antibióticos. “Em função de ser gestante, da pneumonia e apresentar os sintomas da gripe, ela foi encaminhada para a UTI. O quadro evoluiu de maneira ruim com insuficiência respiratória”, disse Paulo Silva.
Por conta do seu estado de saúde, Daniela foi submetida a uma cesariana no dia 23 de agosto. O bebê nasceu pesando 2 quilos e com parada cardiorespiratória. Os médicos conseguiram reanimá-lo. A mãe continuou respirando com a ajuda de aparelhos. Um exame feito a partir da secreção nasal foi encaminhado para análise e confirmou a existência da gripe suína. “Apesar de toda ajuda respiratória o quadro complicou com uma insuficiência renal. Isso em decorrência da Influenza H1N1. Nós acabamos perdendo ela ontem (quarta)”, disse Paulo. O bebê está internado em berço comum e deve ser liberado em breve. A criança seria o primeiro filho da sapateira que se casou havia quatro anos.
Daniela foi velada durante todo o dia de ontem no Velório Municipal do Jardim Aeroporto l. Seu caixão estava lacrado. Transtornada, a família não quis falar sobre o caso. Um conhecido disse que ela morava no Jardim Aeroporto e trabalhava em uma fábrica de calçados. “Ela era estudiosa. Concluiu o ensino médio e sonhava fazer faculdade. Só não fez porque ficou grávida e queria se dedicar ao bebê”, disse uma conhecida que pediu anonimato.
Daniela e o marido freqüentavam a igreja evangélica “Deus de Israel”, localizada no mesmo bairro onde moravam. Seu corpo foi sepultado no final da tarde de ontem com os trabalhos da Funerária Tedesco.
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