Esse teorema, desenvolvido pelo biólogo evolucionista T. H. Huxley, pontua que `se fornecermos a um número infinito de macacos um número infinito de máquinas de escrever, alguns macacos em algum lugar acabarão por escrever uma obra-prima de Shakespeare, um diálogo de Platão ou um Tratado de Economia de Adam Smith`.
Fundamentado nesse teorema o jornalista britânico radicado nos Estados Unidos, Andrew Keen, escreveu em 2007, O culto do Amador.
O livro foi publicado recentemente no Brasil pela Editora Jorge Zaar e em seu conteúdo o autor faz críticas severas à massificação da informação e ao acesso à rede mundial de computadores. De acordo com ele essa `democratização` do acesso ilimitado à internet propicia a `milhões de macacos`, que não são macacos, mas pessoas sem nenhuma capacitação a se transformarem em `jornalistas`, `escritores`, `músicos` etc.
Com base nisso, existe uma camada jornalística denominada `blogosfera`, a qual, realmente deve ser vista com muita reserva, vez que muitas vezes não possui nenhum respaldo programático e de conteúdo. São milhões de `escritores` e `jornalistas`, que não cultivam valores éticos, nem princípios vetores da informação isenta, sem censura ou `maquiagem`.
Importante acrescentar que o papel principal da imprensa é formar cidadãos conscientes das realidades de seu tempo. Pessoas capazes de captar o que há nas entrelinhas da notícia e não meros digestores de informações.
Como na digestão de alimentos fast, a informação entra pelos sentidos e muitas vezes desaparece sem deixar nenhuma `proteína`, apenas `colesterol ruim`. E isso sempre provoca ataques convulsivos de ignorância em massa para os quais não há remédio.
Mas, em verdade, o que pretendem é isso mesmo. A propagação da desinformação e da alienação da população alimentada com as migalhas que sobram das mesas dispendiosas e perdulárias do poder dominante.
A `transposição` pretendida e implementada pelo atual governo não é apenas a do Rio São Francisco, mas a da propaganda, onde quando é questionado acerca de alguma mazela moral e ética dos políticos de Brasília, afirma ou que não sabe de nada, quando se trata de algum militante, ou que não votou no indivíduo como no caso do escândalo envolvendo José Sarney.
E assim, vão `privatizando o futuro`. De escândalo em escândalo, a população vai se sentindo cada vez mais desarmada e impotente. De retórica em retórica vão colocando as grades e aprisionando a população no círculo vicioso do conformismo e da incapacidade de reação.
Orquestração, fragmentação da informação, renovação de escândalos, bem como unanimizar, contagiar, simplificar, silenciar, aquietar, são métodos utilizados pelo governo; e isso, de acordo com a socióloga Maria Lúcia Victor Barbosa, se presta a manter a população `dominada`.
Vamos comemorar o próximo feriado com base na Independência do Brasil ou seria esse um dia de reflexão acerca das `pendências`, das questões mal resolvidas que pesam sobre todos os brasileiros?
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental
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