O administrador de empresas RR, 21, morador em Franca, é acusado de ter dado um grande desfalque na firma onde trabalhava. Ele desviou dos cofres da empresa R$ 120 mil. O dinheiro foi destinado para uma "mãe de santo" na cidade de Mongaguá, litoral paulista. Com a promessa de arrumar uma namorada para o rapaz e fazer dele um dos diretores da firma, a golpista passou a exigir dinheiro para realização de "trabalhos" religiosos. O acusado fez inúmeros depósitos na conta da mulher. A princípio, os recursos eram próprios, mas depois o rapaz começou a furtar dinheiro do caixa da empresa e mandar para a mulher. Três meses se passaram.
Ele não arrumou uma noiva, foi mandado embora da empresa e agora responde a processo pelo crime de furto. A firma vive dificuldades financeiras. A polícia identificou a acusada do golpe e seus comparsas. Em depoimento na Polícia Civil ela negou o crime. Disse que é "feiticeira" e apenas cobrou pelos serviços prestados ao rapaz. A alegação não sensibilizou o delegado e todos foram indiciados por estelionato.
Alegando que o crime está sendo investigado, a polícia de Franca não revelou o nome da empresa e passou somente as iniciais do funcionário. RR era tido como braço direito dos diretores da firma. Ele é quem cuidava dos pagamentos de credores. Como tinha fácil acesso à conta bancária, começou a furtar dinheiro dos patrões e mandar para a religiosa.
Segundo apurado pela polícia, o administrador ficou sabendo pela internet o e-mail de uma mulher em Mongaguá, que se dizia "mãe de santo" e capaz de realizar além de curas, trabalhos espirituais para as pessoas melhorarem sua vida profissional. RR manteve contatos com a religiosa e disse que pretendia ser diretor da firma na qual trabalhava e também conquistar uma namorada.
Já nos primeiros contatos, iniciados em maio deste ano, RR passou a depositar dinheiro na conta da "mãe de santo", TR, 34, conhecida naquela região como "mãe oyá". De acordo com a polícia, entre maio e o final de julho foram vários depósitos em dinheiro. "Os valores variam de R$ 2 mil até R$ 10 mil. Nos extratos bancários da suposta mãe de santo, encontramos diversos valores. No total, ele entregou para ela R$ 120 mil", disse o investigador Paulo César Ferreira, da primeira delegacia de Mongaguá.
Em Franca o golpe foi denunciado no mês de julho. Patrões de RR descobriram o desfalque e o denunciaram à polícia. Na sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), o rapaz confessou ter repassado dinheiro para a mãe de santo realizar os "trabalhos de feitiçaria".
A investigação para descobrir o endereço da "mãe de santo" contou com apoio dos policiais da primeira delegacia de Mongaguá (SP). Dois agentes da DIG de Franca, Regis e Aderson, mantiveram contatos com os policiais daquela região e deram informações sobre o golpe aplicado pela acusada. "O rapaz que caiu no golpe nos ajudou a encontrá-la. Ele ligou e disse que iria para Mongaguá levar mais R$ 50 mil. Fomos com ele. Dois homens, comparsas da mulher, foram encontrar com o administrador. Com ajuda da polícia de lá, encontramos o local onde a acusada atendia", disse o investigador Regis. Todos foram detidos.
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