Sem ônibus, entidades temem que deficientes abandonem tratamento


| Tempo de leitura: 3 min
<b>DRAMA REAL</b> - Silvana Bernardes acena para ônibus em ponto da Avenida Sete de Setembro depois de o filho Rafael, 6 anos, ser atendido na Ong Caminhar. Sem a gratuidade do transporte, mãe pode ter que interromper tratamento d
<b>DRAMA REAL</b> - Silvana Bernardes acena para ônibus em ponto da Avenida Sete de Setembro depois de o filho Rafael, 6 anos, ser atendido na Ong Caminhar. Sem a gratuidade do transporte, mãe pode ter que interromper tratamento d
Há dois anos Silvana Aparecida Bernardes, pelo menos três vezes por semana, mantém a mesma rotina. Leva o filho Rafael, 6, para tratamento de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia e pedagogia na Ong Caminhar. O garoto sofre com os reflexos de uma paralisia cerebral leve desde o nascimento. A partir do tratamento na instituição ele pôde vivenciar atividades comuns para crianças da sua idade, principalmente ir para a escola - ele está no primeiro ano do ensino básico. Mas o tratamento de Rafael está ameaçado. Ele é um dos atingidos pela suspensão da gratuidade nos ônibus. Ontem, Silvana precisou recorrer a familiares para garantir o dinheiro para pagar a tarifa. “Vai ter dia que ele não poderá ir porque não sei até quando as pessoas poderão me ajudar. Espero que um anjo ilumine essas pessoas para que não tirem o passe da gente”, disse a mãe. Rafael é um dos muitos atingidos pela suspensão da gratuidade. Somente na Caminhar 140 portadores de deficiência mental utilizam o transporte coletivo. Na Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) 612 assistidos têm problemas semelhantes ao de Rafael e usam o passe de ônibus. A Sociedade de Instrução para Cegos contabilizou mais de cem usuários na entidade; na Apada (Associação dos Pais e Amigos dos Portadores dos Deficientes Auditivos) são mais de mil pessoas e, na Adefi (Associação dos Deficientes Físicos), 350 estão cadastrados. A situação preocupa as instituições que temem que os pacientes abandonem o tratamento. “Estamos apavorados. São pessoas que conquistaram o direito de um tratamento em entidades que estão localizadas longe de suas casas porque que o governo não oferece nos bairros. Agora não poderão utilizá-los porque são carentes e não têm como pagar a tarifa de ônibus”, disse Ana Estela Checcia, coordenadora da Caminhar. Michelle Barbosa de Oliveira, assistente social da Apae, acredita que os efeitos da medida serão graves. “Os pacientes vão começar a faltar aos tratamentos. Você não tem ideia do que significa para eles uma semana sem o acompanhamento”. Vera Lúcia Alves, assistente social da Sociedade de Instrução para Cegos, tem opinião semelhante. “Vai ser o caos total. (...) A parte de terapia ocupacional dos assistidos deverá ficar comprometida porque eles utilizam ônibus. Muitas das famílias têm apenas o BPC (Benefício de Prestação Continuada) que é de um salário mínimo. Imagine pagando R$ 2,35 para vir e R$ 2,35 para voltar e depois ainda ir para a escola? No final do mês não vai sobrar nada para essas famílias. Deixarão os atendimentos que são extremamente importantes”. [FOTO2] As entidades pretendem se mobilizar para chamar a atenção das autoridades e empresa São José. “Se preciso vamos convocar nossos pacientes e a população e sair às ruas”, disse Ana Estela, da Caminhar. <b>APOSENTADOS</b> Além dos deficientes, a São José também deve suspender a gratuidade aos aposentados por invalidez e pensionistas. Como essas pessoas contam com cartões permanentes, que têm validade de um ano - renovável no mês de aniversário do usuário - não é possível afirmar quando a empresa recolherá os cartões. No total, entre 9,7 mil e dez mil pessoas - deficientes aposentados e pensionistas -, perderam o direito de andar de ônibus de graça.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários