Bola de cristal


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O que um empresário calçadista deve deduzir? Deve planejar o futuro mais seguro possível para a sua empresa nos próximos, no mínimo, dois anos
O que um empresário calçadista deve deduzir? Deve planejar o futuro mais seguro possível para a sua empresa nos próximos, no mínimo, dois anos
Acabo de assistir entrevista com o ex-ministro da Fazenda Maílson de Nóbrega, no programa Show Business, do João Dória Jr. Como não podia deixar de ser, girou em torno da indagação: o Brasil já se livrou da crise? Qual será o comportamento da economia no segundo semestre e em 2010? Maílson de Nóbrega alinha no time de economistas de primeira linha e sempre é proveitoso ouvir a sua opinião ou seguir seus conselhos. Também desta vez, embora com leve otimismo, não tentou pintar em cores róseas a situação, tendendo ao otimismo oficial do `nunca antes neste país`. Há uma melhora em vários segmentos da economia, tanto pelas contingências naturais – esvaziamento dos estoques –, como pela intervenção governamental, concedendo isenção de impostos, aumentos salariais e facilidades de crédito, medidas que se refletiram positivamente no desempenho de determinados setores. Mas deduzir disto que o Brasil já saiu da recessão seria prematuro e irresponsável, destacou Maílson de Nóbrega. Esta também é a opinião do ex-presidente do Banco Central, Carlos Langoni, que acaba de voltar da Europa onde notou que o clima de profundo pessimismo está se dissipando, principalmente na Alemanha. Na opinião dele, a Europa e Japão serão os últimos a sair da crise. Os Estados Unidos, dentre os países industrializados, está entre os primeiros. Entre os emergentes a Índia está desacelerando demais e a Rússia vai demorar por causa do petróleo. A China vem desempenhando papel esperado, ou seja, mantendo o comércio internacional aquecido ao mesmo tempo em que investe pesadamente dentro do país, incentivando o consumismo. Quanto ao Brasil, Langoni acredita que o crescimento de 7% de economia – como se deu no terceiro trimestre de 2008 –, com o investimento crescendo três vezes o PIB irá demorar pelo menos dois anos para ocorrer de novo. Só em 2011. Durante 2010 ainda haverá muita capacidade ociosa e investimentos só se efetuam com horizontes claros e definidos. Este ano está sendo marcado por acentuada queda de exportações, na ordem de 20 %. No ano que vem também não devem subir muito mas a verdade é que a dependência do crescimento brasileiro até 2011 vai continuar, basicamente, sendo do consumo privado, até que a economia mundial volte com um dinamismo maior. Minha pergunta é: como fica o tão badalado PAC? Será que Langoni não está muito otimista? Para o Prêmios Nobel, Joseph Stiglitz, `estamos no fim do começo da crise`; para Robert Mundell, a crise `está entrando no terceiro quinto da sua extensão`. Decano dos economistas brasileiros, José Roberto Mendonça de Barros está muito cauteloso nas suas previsões. Na opinião dele, o `Brasil vai crescer menos e diferente. O grande motor do crescimento brasileiro será o setor de commodities, com percepção muito boa para todos os tipos de alimentos. Mesmo que a China desacelere, Mendonça de Barros não vê grandes problemas porque a demanda por alimentos no mundo cai muito pouco. "Um desempregado americano não come menos do que quando estava empregado. Ele corta o carro, não paga prestação da casa, não paga o cartão de crédito, mas não deixa de comer. China e Índia estão crescendo e a demanda por alimentos não cai. Em outros países, os governos fazem das tripas o coração para suportar o consumo de alimentos por questões sociais e políticas`. Esta é a visão dos economistas, que têm acesso a informações privilegiadas, são pessoas de grande visão e experiência e, no momento, não têm nenhum interesse político em pintar um quadro pouco realista da situação econômica mundial com reflexos diretos na economia brasileira. O que um empresário calçadista deve deduzir? Deve planejar o futuro mais seguro possível para a sua empresa nos próximos, no mínimo, dois anos. Em primeiro lugar: não contar com expansão do mercado nacional, mas tentar conservar o espaço já conquistado, com melhores serviços, cumprindo ou apressando prazos de entrega; lançamentos mais adequados, menos espaçados, com melhor pesquisa de mercado; não se iludir com abertura de exportações significativa. No aspecto interno da gestão, aprofundar o conselho da Dona Luiza Trajano: `sentar em cima do cofre!`. Racionalizar os processos a partir de modelagem econômica e racional. Evitar todo tipo de desperdício e estabelecer rígidos controles de gastos de matéria prima e de insumos; implantar controles econômicos de contabilidade de resultados e acompanhamento da evolução ou involução do capital de giro semanal! Principalmente, deixar vaidades de lado e analisar os investimentos improdutivos; adiar planos de expansão que requerem construção ou compra de terrenos. Nem falo de aviões ou helicópteros! Bem, quem agir contra estas recomendações, ou não sabe o que faz ou faz parte de esquema de lavagem de dinheiro. <b>TEMPERATURA!</b> O fabricante alemão de produtos à prova d`água e que respiram, Sympatex, de Munique, anunciou o lançamento de um novo produto, que controla efetivamente a temperatura do corpo dentro do calçado. Denominado Air Jet Technology o produto foi lançado na feira Out-Door – de 16 a 19 de julho em Friedrichshafen – e estará disponível no mercado no verão 2010. <b>MEMBRANA HIDRÓFILA</b> De acordo com a Sympatex, a tecnologia proporciona o máximo de respiração, não via solado como já é comum, mas através de todo o material do cabedal. Uma entretela com membrana hidrófila assegura o transporte rápido da umidade do pé porque o forro absorve a umidade do pé inteiro. Quanto mais a entretela com membrana está forçada, mais se estende e com isso cresce a respirabilidade, bem como a remoção do vapor da umidade. <b>A TÉCNICA</b> O material externo do cabedal usa um tecido com técnica de tecelagem de nós extra-finos. Este material está em contato direto com a membrana hidrófila e com o andar natural, aumenta a circulação interna do ar. A ventilação adicional aumenta a evaporação da umidade no calçado e contribui para regular a temperatura corporal e o acúmulo do calor nos pés. <b>Zdenek Pracuch</b> <i>Sapateiro, shoemaker</i> pracuch@comerciodafranca.com.br

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