Representantes de dois sindicatos patronais (do Comércio Varejista e das Indústrias de Calçado de Franca) e seis de trabalhadores (comerciários, sapateiros, domésticas, metalúrgicos, curtumeiros e empregados da Saúde) estiveram reunidos ontem à tarde na Câmara Municipal de Franca para discutir a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 231/1995 que tramita no Congresso Nacional. O documento propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem alteração de salário e o aumento do adicional de horas extras de 50% para 75%.
A audiência foi convocada pelo deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB) com a ajuda do vereador Paulo Zamikhowsky (PSB) e contou com a participação de outros três vereadores: Paulo Afonso Ribeiro (PT), Joaquim Pereira Ribeiro (PSB) e Pastor Otávio Pinheiro (PTB). “Nós temos que fazer com que as pessoas tenham conhecimento do acontece em Brasília. Quais são as discussões que lá ocorrem e o quanto afetam suas vidas”, disse Ubiali.
Em duas horas e meia de debates, os sindicalistas defenderam a proposta alegando que ela melhoraria a qualidade de vida do trabalhador e geraria 2,5 milhões de novos empregos em todo o Brasil. “Mais trabalhadores empregados significa mais gente com dinheiro no bolso e economia mais aquecida”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Franca, Hélder de Souza Gomes.
Os sindicalistas apoiam sua tese em um estudo técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). “Os números mostram que a folha de pagamento seria onerada em menos de 2%. Muito pouco perto ao benefício que traria para todos”, afirmou Gomes.
A crença dos trabalhadores no impacto positivo da proposta não poderia ser mais oposta a dos patrões. De acordo com José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca, o estudo indicado pelos sindicalistas não é conclusivo. Ele acredita que a folha de pagamento da indústria calçadista deve aumentar em cerca de 11%, percentual que teria que ser repassado ao preço final dos produtos. “Não somos contra a redução da jornada. Achamos apenas que não é a hora. Ainda estamos tentando nos recuperar de uma crise econômica mundial sem precedentes. Essa tem sido uma discussão política. É preciso colocar as coisas na ponta do lápis”, disse Brigagão.
Para ele, uma das possibilidades para preservar as empresas é reduzir também a carga tributária. “Tenho certeza de que o congresso vai aprovar isso. Colocar o peso total em cima das indústrias pode acabar com elas. É preciso que o Governo Federal faça a parte dele”, concluiu.
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