A votação da emenda 97, que destinava R$ 275 mil para os vereadores criarem cargos e contratarem mais 15 assessores, expôs um racha entre os parlamentares e pode ter instalada uma crise sem precedentes na Câmara. As cicatrizes da polêmica sessão, ocorrida terça-feira, ainda estão abertas. O clima de insatisfação é tão grande a ponto de fazer o vereador Jepy Pereira (PSDB) dar a mão à palmatória e concordar com a opinião de ferrenha rival política. “Acho que a doutora Graciela (Ambrósio, do PP) tem razão, sim. A Câmara é frouxa. Os caras têm medo. Não têm posição. É uma Câmara fraca mesmo”, disse Jepy.
A crise no Poder Legislativo francano foi deflagrada durante a votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) do município. Um pacote de 119 emendas era analisado pelos vereadores em tom pacífico. Após ter propostas de investimento nos setores Social e de Saúde rejeitadas, Silas Cuba (PT) se enervou e pediu para que sua assinatura fosse retirada da emenda 97, que seria votada mais a frente. Ele havia se comprometido a aprová-la. A emenda previa a destinação de recursos para a criação do cargo de assessor parlamentar-adjunto. A vaga seria preenchida por indicação política do vereador. Atualmente, cada parlamentar tem um funcionário pago com dinheiro público. Eles recebem R$ 2,1 mil por mês. Para ser aprovada, a proposta precisava de dez votos. Faltou apenas o de Silas Cuba.
Na sexta, a reportagem ouviu os vereadores para repercutir o assunto. Os ânimos não se acalmaram. Mesmo com a repercussão negativa, os defensores da emenda 97 mantiveram a opinião e atacaram os que votaram contra. “Sou um dos signatários do projeto e não me arrependo de ter votado positivo. Fiquei decepcionado com o Vanderlei Tristão. Negociamos para aprovar as emendas dele e ele pulou fora na última hora. O Silas Cuba teve uma atuação desprezível”, disse Jepy.
Outro idealizador da proposta, Marco Garcia (PP) deixou de lado o costumeiro tom ameno e criticou com veemência o fato de o petista ter mudado o voto por ter suas emendas rejeitadas. “O homem público precisa ter postura. Se assina uma coisa é porque está de acordo. Retirar a assinatura é deselegante, é homem que não tem palavra”.
Alvo principal dos colegas de plenário, Silas disse que não se arrependeu de pedir para que sua assinatura fosse retirada do projeto. Também atacou a bancada governista. “Meu maior erro foi ter assinado a emenda. Não me arrependo de ter mudado de opinião. Se houve falta de postura, foi por parte da bancada do prefeito que se submete às ordens do secretário de Finanças”, disse ao se referir à visita que o secretário Sebastião Ananias fez à Câmara na última terça-feira para tirar dúvidas dos vereadores acerca da LDO.
Vanderlei Tristão (PTB) disse que sempre foi contra a contratação de novos assessores e que não se comprometeu a aprovar a emenda. “O acordo que fizemos, para que as emendas de nossa bancada fossem aprovadas, foi aprovar o projeto global da LDO. Não discutimos a questão dos assessores. O Jepy tenta confundir o eleitor com inverdades”.
Os vereadores têm um novo encontro marcado para esta terça-feira, quando vão se reunir para votar o Plano Plurianual. A emenda 97 voltará a ser debatida, o que garantirá apimentadas discussões.
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