Homem transforma carrinho em casa


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<b>CASA IMPROVISADA</b> - Homem dorme dentro de carrinho que usa para catar recicláveis: objeto foi ‘transformado’ em lar
<b>CASA IMPROVISADA</b> - Homem dorme dentro de carrinho que usa para catar recicláveis: objeto foi ‘transformado’ em lar
Os moradores de rua não têm muitos pertences. Costumam andar apenas com as folhas de papelão que usam para dormir, cobertor e as roupas do corpo. Quando saem para pedir comida e dinheiro, deixam os pertences encostados em algum canto. Muitos não têm documentos. HB, 46, tem um pouco mais que a maioria. Vive nas ruas com um colchão, duas cobertas e um carrinho que tem várias utilidades. Serve para transportar o papelão e latinhas que cata na rua para vender e também como casa. Na hora de dormir, ele coloca o colchão dentro dele e fica deitado até o dia clarear. HB é visto há meses na Vila Raycos, próximo à Paróquia São Judas. Já se tornou conhecido no bairro. Toda noite, “estaciona” o carrinho sob árvores, num canto escuro da Rua Francisco Marques, e dorme. Durante o dia, costuma percorrer as ruas ao redor da paróquia para recolher recicláveis e depois “fazer dinheiro”. Diz que usa o que recebe para comprar comida e cigarro. HB admite que bebia pinga desde a adolescência e alega que parou, mas é traído pelas evidências. Na noite da última terça-feira, estava visivelmente embriagado, com dificuldades até para falar. Os vizinhos também sempre o veem comprando bebida alcóolica. “Meu único defeito é fumar”, insiste. HB passa dias sem fazer higiene pessoal. Só lava o corpo quando está no Abrigo Provisório, o que é raro acontecer. “Não fico muito lá. Não gosto”. HB trabalhava como lavrador. Morava em Igaçaba até se separar da mulher, que foi a primeira namorada e com quem teve três filhos. Terminou o casamento porque “bebia pinga demais”. Durante alguns meses, tentou ficar no assentamento na Fazenda Boa Sorte, em Restinga, mas decidiu se mudar para Franca. Diz que tem família na cidade, mas que ela não ao aceita. “Tenho três irmãos aqui na cidade. Eles estão bem de vida. Como não tenho onde ficar, moro na rua”.

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