É incrível como as mulheres suportam o quadro a quadro das novelas, pois é puro fingimento declarado. São papeis que se vive fingindo a realidade. Neste, que é o tempo das máquinas detectoras de mentiras pelo simples timbre de voz, (ainda é possível dizer que) percebemos (ainda mais) vendo e ouvindo pois somos muito melhores do que máquinas que não têm psicologia.Seria lógico se ao final de novelas, as telespectadoras recebessem o diploma de fingidas. É ridículo vermos um narigudo ou queixudo fazendo papel de pai de garota que quase não tem nariz ou queixo. (As mulheres) ouvem e enxergam as mentiras, sofrem, envolvem-se totalmente na falsa trama. Tem quem não aceita saber que é fingimento; choram e riem juntas. Acho que acreditam também em Papai Noel. E, depois de tanta falsidade, tem até quem encontra os personagens na rua e tenta matá-los. Já houve quem tenha querido vingar a Odete Roittman!!! Ainda mais grave de tudo é saber que existem mensagens subliminares destruidoras. Para a TV, o importante é o Ibope, mas para a sociedade temos causas e efeitos: crianças de 12, 14 anos se prostituindo seguindo exemplos de sexo implícito e explícito, modelos e modismos de novelas. Neste nexo causal, se quisermos combater a prostituição infantil, temos que combater as novelas.
Júlia Andreoni
Franca - SP
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Que é isso? Falta de imaginação ou questão de sobrevivência? Perdoem-me, mas se não é hipocrisia, é total alienação. Essas meninas são vítimas de uma sociedade sem nenhuma identidade, que só fazem imitar personagens precoces sexualmente e subdesenvolvidas intelectualmente, cujas maiores referências estão em Malhação e outros lixos da (televisão). A juventude brasileira está perdida sim, mas não só ela. As gerações anteriores estão cegas, não enxergam e continuam entregando seus descendentes, de mão beijada, aos lobbies do consumo, da necessidade de obedecer a um padrão único, sem opção de escolha. O Brasil despreza seus cérebros e cultua seus corpos. Os ídolos, ao invés de barro, são de silicone. O resultado é uma enorme pressão sobre meninas pobres, que vêem suas únicas oportunidades de aceitação (e muitas vezes, de sobrevivência) numa sociedade de aparências e falso glamour, na venda do próprio corpo. Tomara que acabe a impunidade de safados que se aproveitam da fragilidade dessas pobres criaturas e cometem a imoralidade de abusar de meninas e meninos da idade de seus próprios filhos.
Carlos Martí Hernández
DDD 34
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