Em debate


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Enquanto a polícia prende gente que vende diamante, os que matam e roubam milhões continuam soltos! Pedro Franca - SP ***** Com relação à Objetiva Especial deste Comércio, publicada em 14 de agosto (disponível para leitura em http://www.comerciodafranca. com.br/materia.php?id=46543), gostaria de considerar que não é de hoje que a mídia brasileira emplaca um duelo intenso, diga-se de passagem -, com a nossa Polícia. Diariamente são publicadas pela mídia falada ou escrita, críticas severas acerca da atuação policial, ressaltando de forma exorbitante as falhas ocorridas, sem o mínimo de reconhecimento quando, de fato, há mérito na ação daqueles que lutam diuturnamente para a manutenção da ordem social, que tanto sonhamos seja colocada em prática. Longe de querer encobrir as barbáries que presenciamos todos os dias em nosso país, coroadas por boa dose de politicagem, é preciso que se dê o devido valor às atuações dos agentes da lei quando estas, sem a menor sombra de dúvidas, são dignas de merecido prestígio. A Operação "Quilate" da Polícia Federal, na última quarta-feira em Franca, diante do sigilo quase que absoluto de que foi revestida, vem trazendo um inconformismo descabido a parte da população, no anseio à obtenção de informações precisas ou até mesmo sensacionalistas, concernentes ao que realmente foi levado a efeito. Vale consignar que tanto a Justiça Federal, como a Polícia Federal mantiveram-se silentes e se recusaram a liberar quaisquer tipos de informações sobre o que se passa na operação. Ora, foram cinco meses de fortes e profundas investigações, muito bem delineadas, e planos de atuação igualmente bem arquitetados para que se pudesse executar, da brilhante forma como foi, a prisão daqueles envolvidos em operações ilegais de câmbio e no comércio ilícito de pedras preciosas. Caso não fossem sigilosas como o foram, durante todo o tempo, as apurações feitas, teria logrado a Polícia Federal tamanho êxito em cumprir os mandados de busca e de prisão a que se propuseram? Certamente não. A Constituição Federal, esse conjunto de princípios basilares, formadores do tão almejado Estado Democrático de Direito, por muitos mencionada, por alguns com louvável propriedade, e que por poucos foi, algum dia, sequer folheada, resguarda o direito à identificação do preso, dos motivos da prisão, assim como de seus executores. Mas apenas ao próprio preso, ao juiz competente da causa e à família do preso ou pessoa por ele indicada que na maioria das vezes trata-se do defensor por ele constituído. Basta, para tanto, atentar-se à redação dos incisos LXII a LXIV, do artigo 5º, da Constituição Federal. E, por óbvio, o que é de direito, a quem o tem garantido, foi exercido da forma devida, eis que foram impetradas no Tribunal Regional Federal, ações, pelos advogados dos envolvidos, que visam o relaxamento das prisões realizadas. Não se olvida tenha a mídia papel importantíssimo, formador de opiniões, na sociedade em que vivemos, mas é imprescindível que em determinados casos, mormente ao se tratar de Justiça, esteja ela afastada do centro das principais informações, ou que somente faça parte dele no momento em que for oportuno. Talvez esta indignação, por mim expressada, sequer venha a ser publicada por este jornal, já que rebate o posicionamento de um ilustre e respeitável, dentre outros adjetivos, escritor francano. Mas como estudante de Direito, travo um embate cotidiano, a toda crítica desprovida de fundamentos jurídicos, que vejo publicada por mais justa que seja. Marina Rodrigues 21 anos, estudante de Direito - Franca - SP ***** NOTA DA REDAÇÃO — Este Comércio aceita e estimula a pluraridade de opinião. Aqui, posições conflitantes encontram guarida desde que agreguem valor ao debate, e este é o caso da carta da leitora. Discordamos, porém, dos pontos defendidos por ela, estudante de Direito certamente preocupada em defender os limites do exercício profissional no qual busca formação. A liberdade à informação é essencial e é, também, princípio pétreo constitucional. Apenas em países que viveram regimes de exceção (e, certamente, a leitora, ainda muito jovem, não viveu as tristezas da censura ao pensamento e à livre manifestação, impostas pelos anos de chumbo do Brasil), dá-se o valor devido ao "esforço de obtenção de informações precisas". E discordamos mais, e profundamente, quando a leitora fala na imprensa "afastada do centro das principais informações, ou que somente faça parte (...) no momento em que for oportuno". Não há momentos oportunos ou não oportunos na busca e veiculação da informação. Prospectar e estabelecer os limites da verdade, pela publicação de todos os contornos de cada fato, é a única vocação dos meios de comunicação sérios e comprometidos com as comunidade às quais servem. Somente a verdade sana dúvidas, esclarece espíritos, possibilita o posicionamento das mentes e estimula o País melhor e mais justo que buscamos construir, mesmo e apesar das dificuldades que muitos criam para esconder a verdade. Neste País do oportunismo e do "há jeito para tudo", a imprensa séria e reta é o último bastião capaz de dar respostas à população colocada ao largo dos fatos. Continuaremos exercitando o papel que nossos leitores esperam de nós. Doa a quem doer.

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