`Não é todo mundo que traz a maldade no olhar`


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Cansados de serem assaltados os taxistas francanos buscam alternativas para aumentar a segurança no trabalho. No ponto de táxi da Estação, local de onde saiu a vítima de ontem, os motoristas agora pedem documentos de identidade e fazem consultas à polícia sobre a idoneidade do passageiro. Além disso, os usuários do ponto se cotizaram para instalar um sistema de câmeras que ajudasse a prevenir a ação de bandidos. O motorista RLG, 59, é um dos que apoiam as novas medidas. Há quatro anos trabalhando na "praça", ele já foi roubado três vezes. Do último assalto, ocorrido em fevereiro, RLG mostra a cicatriz com 16 pontos no pescoço. O corte foi feito por um casal que levava no banco traseiro. "Disse que eles poderiam levar o dinheiro e o carro. Não reagi. Não dá para saber pelo rosto quem é ou não bandido. Não é todo mundo que traz a maldade no olhar", disse o taxista. O taxista afirma ter medo. "A gente tem que continuar de qualquer jeito... Estou com 59 anos e uma família para sustentar. Não dá para arrumar outro emprego, então, tem que ir suportando isso aqui mesmo até quando Deus quiser", disse. DM, 60, compartilha com o colega a angústia de ter sofrido diversos ataques. Foram cinco nos últimos anos. O mais recente, no início de 2009, não trouxe à vida do taxista grandes consequências. "Apenas entreguei logo o dinheiro e eles me deixaram em paz", disse. Apesar de ter escapado ileso da última ocorrência, o motorista conta que toda vez que acontece algo parecido ele lembra de sua corrida mais traumática. Há cerca de dois anos DM foi surpreendido pela pistola 9 milímetros de um "passageiro". "Naquela noite achei que ia morrer, mas ele me deixou perto do bairro Santa Terezinha. Como não tinha cordas e não queria que eu corresse para chamar a polícia, o ladrão pediu para que eu tirasse toda a roupa. No meio da noite fui obrigado a pedir socorro completamente nu", disse ele. Minutos depois a polícia identificou o assaltante, que protagonizou cenas de perseguições e trocas de tiros. DM até hoje agradece a Deus por não estar junto. "No fim, o bandido foi encontrado morto em Ribeirão Preto com 46 tiros no peito", disse. Quem não tem um ponto com todo o aparato de segurança encontrado pela reportagem na Estação ou não conta com uma central para checar informações "se vira" como pode. O taxista José Augusto dos Santos tem 39 anos, cinco deles atuando com taxista nas ruas de Franca. Para garantir sua segurança ele utiliza um método simples: "Não levo quem eu não conheço". A técnica pode reduzir os ganhos, mas vem dando certo. José nunca foi assaltado. "Não adianta fazer sinal para mim na rua. Só atendo ligações feitas para o meu celular. Ainda assim, às vezes, acho que corro riscos", afirmou o taxista.

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