Numa casa simples cujas portas estão sempre abertas, encontramos o garimpeiro Joviano Máximo de Queiroz, 70. Pretinho, como é chamado, estava bem vestido e penteado na manhã de sábado e convidou a reportagem para conhecer o que sobrou de décadas de garimpagem em pelo menos cinco Estados diferentes. Toda a tralha estava guardada, como se estivesse esperando o momento de volta à ativa.
O garimpeiro nunca fez outra coisa na vida. E depois de pegar uma sacolinha dessas de supermercado cheia de pedras verdes que, acredita, sejam turmalinas, começa a mostrar os apetrechos que usa para saber se o que tem nas mãos é ou não de valor.
Mostra um cristal, mostra uma ametista. Vai para o fundo da casa e tira de dentro de um saco, o capacete que complementa o escafandro, traje usado para mergulho em grandes profundidades. A peça de bronze, com uns 15 quilos, já foi do pai, dos tios e passou por ele.
Perguntado se já mergulhou bastante, respondeu com um direto: “Vixe, e muito”. Em Goiás, Minas e Espírito Santo, onde houvesse suspeita de encontrar diamante lá estaria ele.
Para Pretinho, a atividade não era tão perigosa, afirmação que não muda mesmo quando mostra uma antiga roda que, girada, servia para levar ar ao mergulhador, tarefa que hoje é cumprida por compressores. Era esse equipamento rudimentar que garantia a sobrevivência, dia e noite, do mergulhador no fundo dos rios.
“A gente costumava ficar três, quatro horas embaixo da água, sem subir. Até teve um amigo que ficou três dias, mas porque uma pedra prendeu a mangueira dele. No fim deu tudo certo”, afirmou ele.
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