Castigo


| Tempo de leitura: 2 min
Devo merecer o castigo que certos programas de TV abusam ao impingir à sofrida classe de seus viciados nas tais drogas que campeiam por aí espalhando maus exemplos. Eles ensinam de tudo, a partir do aprimoramento da ignorância coletiva nas varias camadas da sociedade que ao governo cabia educar. No entanto, a classe política inteligente precisa, enquanto rouba, enganar o povo com mediocridades. Permitir, com liberdade e sem censura, o circo na casa das pessoas, incluindo o alcance de crianças em formação, faz parte do projeto usurpador dos interessados em lucro fácil despudorado. Por opção, deixei de frequentar a telinha, exceção feita para jornalismo ou temas culturais que possam acrescentar alguma coisa ao meu saber tão pequeno. De nada tem-me adiantado desligar os famigerados, – que rejeito na TV Globo – em seus No limite e Big Brother, pois com eles me encontro na rua nu e descalçado, sem vídeo, mas, com narração cansativa e acrescentamentos especiais no texto. Na ultima terça-feira fui submetido ao teste, sem o querer, em um salão de beleza onde compareci para cortar e higienizar as unhas. Tive 40 minutos de provação, ouvindo cinco mulheres bonitas perdendo a oportunidade de ampliar sua graça, exibir os encantos botando em suas vozes, não digo temas eruditos, mas, alguma coisa agradável. Poderia versar a prosa na educação de filhos, culinária, na homilia da missa do domingo, na gracinha de netos, passeio de fim de semana ou mesmo nos carinhos de maridos e namorados. Foi enclausurado no meu silencio, navegando em pensamentos sobre os encantos físicos dessas mulheres que, sonhei mesmo acordado: que desperdício delas falando da prova Estômago, do programa No limite, exigindo à mastigação de olhos de cabra e ovos galados com embriões desenvolvidos à luz do sapiente – será? – Zeca Camargo. Sinceramente, com elas teria me encantado no salão de beleza, local apropriado para aprimorá-las naquilo que a mulher sabe ter: beleza. Quanto ao assunto da conversa, poderia ter sido melhor literatura. Exemplo: o mais recente lançamento do aclamado escritor e cineasta afegão, Atiq Rahimi, Syngué Sabour (Pedra de Paciência) narrando a história de uma mulher afegã a beira do leito velando o marido com uma bala alojada na cabeça. Ela revelava aos poucos, recordações escondidas e por ele ignoradas. Prostrado, ele ouvia a confissão da mulher o que mantivera sepulto na tradição Islâmica. Porque não incluir Noites Brancas de Dostoievski, Os sofrimentos do jovem Werther de Goethe, Tocaia Grande de Jorge Amado, Um Certo Capitão Rodrigo de Érico Veríssimo ou ainda os caminhos de Rachel de Queiroz através do Memorial de Maria Moura?. As ocorrências da semana, com acerto, sugerem um registro para desligar as baboseiras e, viajar pelas paginas de um livro, sempre portador de crescimento. Garcia Netto Jornalista

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários