No começo desta década, Franca chegou a concentrar mais de 100 lapidários. Em média, tiravam US$ 1 mil por mês. Há cerca de cinco anos, os órgãos ambientais apertaram a fiscalização e os negócios começaram a ruir. Encontrar um diamante de boa qualidade passou a ficar cada vez mais difícil. As pedras preciosas rarearam e os compradores, principalmente da Ásia e da Europa, desapareceram da cidade. A crise econômica global foi outro golpe difícil de assimilar.
No começo deste ano, o número de lapidários em atividade não chegava a 20 em Franca. Os ganhos despencaram pela metade. Se já estava difícil, tudo se tornou ainda mais complicado com a ação dos federais. Mais do que prender meia dúzia de comerciantes, a Operação Quilate pode ter dizimado uma categoria que vinha lutando para se manter em atividade em Franca. Além de perder os rendimentos, os lapidários estão apreensivos e com medo de serem presos.
Em entrevista ao Comércio da Franca na terça-feira, 18, a procuradora da República em Franca, Daniela Pereira Batista Poppi, que atuou no caso, disse não acreditar que o comércio ilegal de pedras preciosas na cidade acabou de vez. “Infelizmente, acho que não. Não é só aqui. O problema existe em vários locais. Pode ser até que a situação fique amenizada por um certo tempo em função do susto causado nas pessoas”. Para os que estão esperando a poeira baixar para retomar os negócios, ela deu um recado duro. “A Polícia Federal e o Ministério Público Federal vão estar de olho neste tipo de procedimento. A fiscalização em cima desse tipo de atividade vai ser, realmente, rigorosa”.
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