Um casal católico de Franca tem trabalho desde 2001 na tentativa de reestruturar famílias desgastadas pela rotina e pelos problemas diários de uma relação. Para isso, fundaram em março daquele ano o Grupo Tenda (originado do verbo entender) e desde então calculam ter ‘salvado’ 140 casais do fim do casamento. A maioria, segundo a coordenação, apresentava crises conjugais, conflitos com os filhos e até traições. Atualmente 90 famílias participam do grupo que se reúne semanalmente.
O grupo pertence à Paróquia Menino Jesus de Praga, no Jardim Pedreiras, e também está ligado à Escola Hallel, ambos da Igreja Católica. Sua proposta consiste em trabalhar os conflitos familiares (individualismo, falta de aceitação, intolerância e até o fim do apetite sexual) por meio da evangelização na fé católica. Os casais são convidados para pregações bíblicas, momentos de oração, troca de experiências e até recebem atendimento individual com orientações cristãs.
Os encontros acontecem todas as sextas-feiras numa das salas da igreja. Pelo menos uma vez por ano, eles ainda participam de um acampamento, onde ficam alojados em barracas (também daí o nome Tenda). O objetivo é fazer com que tenham desapego dos bens materiais e convivam em união.
Como o trabalho do Tenda é feito em etapas, os casais são divididos em grupos menores de acordo com o tempo de vivência no grupo e se tornam amigos íntimos a ponto de terem uma vida de lazer em comum e até oferecem ajuda financeira em períodos de dificuldade. As famílias também se apoiam em momentos de doença e morte.
Coordenadora do grupo, Elisabete Arcolino, que divide a função com o marido Carlos César, diz que sempre sonhou com esse tipo de comunidade e credita os resultados positivos à metodologia de trabalho focado no “tripé oração, relacionamento e missão”. Bete e Cacá, como são conhecidos, são pais de Gianna Maria, 9, criança que nasceu, segundo a Igreja Católica, graças a um milagre da hoje Santa Gianna, considerada patrona das famílias. “No Tenda os casais aprendem a se respeitarem, passam a ter uma vida de oração conjunta, ler a palavra de Deus todos os dias e a freqüentar a igreja. O objetivo é tirar a casca velha, as mágoas e a falta de diálogo”.
Além de restaurar marido e mulher, o Tenda também acolhe os filhos e promove encontro entre eles com palestras sobre diferentes temas como relacionamento, educação e companheirismo. Os casais que participam hoje do Tenda têm entre cinco e 20 anos de casados. Muitos chegaram ao grupo próximos da separação.
Segundo Bete, a maioria viu o projeto como a última tentativa de salvação do relacionamento. Em oito anos, ela diz que apenas dois casais não conseguiram ficar juntos. “Temos muitas histórias de mulheres que perdoaram os maridos da traição e eles voltaram para casa. O Tenda consegue criar uma nova esperança e vai restaurando os casais aos poucos”.
<b>COMO PARTICIPAR</b>
Qualquer casal, independente do tempo que vive junto, pode entrar no Tenda. Não é necessário ter filhos e nem ser casado oficialmente. Casais em segunda união também são aceitos no grupo. “Não há um tempo ideal de casamento para entrar no Tenda e casais que estão bem também podem participar, não é preciso ter um grande problema”, disse Bete Arcolino, coordenadora do grupo.
O encontro para entrada de novos casais ocorre uma vez no ano. O próximo está previsto para março de 2010. Na ocasião serão oferecidas 35 vagas. O período de permanência no Tenda é ilimitado.
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