Drogas são a porta de entrada no crime para menores detidos na Fundação Casa


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<b>MERGULHO PERIGOSO</b> - O jovem C., de 18 anos, é visto enquanto lê livro na Fundação Casa de Franca: menor começou a traficar drogas aos 12 anos e acabou preso em março deste ano. Ele queria “dinhei
<b>MERGULHO PERIGOSO</b> - O jovem C., de 18 anos, é visto enquanto lê livro na Fundação Casa de Franca: menor começou a traficar drogas aos 12 anos e acabou preso em março deste ano. Ele queria “dinhei
Até setembro de 2007, a estrada de terra não levava a um prédio de cor bege e ferragens amarelas no Bairro City Petrópolis. Meninos que assaltavam, traficavam ou roubavam também não ficavam na cidade quando condenados. Eram “despachados” para outros municípios. A realidade mudou com a instalação da Fundação Casa (ex-Febem) em Franca. Prestes a completar dois anos, a unidade abriga 70 adolescentes. Desses, 31 perderam a liberdade por serem traficantes de drogas. Outros 25 cometeram assaltos. Dois tentaram matar uma pessoa. Um estuprou. A conta não é exata porque alguns jovens cometeram mais de um crime. O mais velho tem 19 anos. O mais novo, apenas 13. O grande mal por trás da trajetória desses meninos são as drogas. “Não tem roubo se o menor não é usuário. Ele rouba para sustentar o vício”, diz Rosângela Caetano, diretora da Fundação. No tráfico, buscam dinheiro fácil e status perante os colegas. “Eles querem a roupa e o tênis de marca”. C., 18, engrossa a liderança do ranking, ocupada, desde as primeiras internações feitas em Franca, pelo tráfico de drogas. Na rabeira dos colegas, começou a vender cocaína com apenas 12 anos. Em março, foi flagrado durante uma negociação e internado na entidade francana. “Eu trabalhava como eletricista com meu pai e com a droga tinha dinheiro mais fácil. Tirava uns R$ 300 por fim de semana. Sempre tinha dinheiro para comprar roupas, sapatos e o que eu queria. Fui investindo no tráfico e acabei preso. Só agora que fui pego, percebi que o tráfico não servia para mim”, disse o menino, que também consumia cocaína. Segundo a diretora Rosângela Caetano, a maioria dos internos é de família carente, mas há jovens oriundos de classe média, de bairros nobres, que são filhos únicos e “tinham de tudo, viviam em boas condições”. Ela, que trabalha com menores infratores há mais de 20 anos, percebeu um aumento do envolvimento com tráfico. “Isso vem da facilidade de se conseguir drogas, da disfunção familiar e da falta de programas que envolvam a família e os meninos de forma a prevenir esse tipo de problema”. Rosângela disse ainda que as rédeas dentro de casa estão bambas e que a necessidade do trabalho fora pode prejudicar os filhos. “Os pais não conseguem mais impor limites e isso é um fator de risco para o adolescente. Também mudou a realidade nas casas. A mãe não fica mais em casa porque trabalha fora. A mãe não está ali o tempo todo e, muitas vezes, as que estão não têm uma qualidade de acompanhamento. Os jovens ficam mais vulneráveis”. <b>REFLEXOS</b> Nas ocorrências que chegam até o Conselho Tutelar de Franca também é patente o mergulho dos adolescentes no mundo das drogas. A conselheira tutelar Gláucia Limonti disse que em 70% dos casos, os jovens consomem entorpecentes ou têm alguém dependente na família. “Os menores usuários são de famílias desestruturadas. Eles não têm um referencial nem apoio dentro de casa. Além disso, Franca está cheia de pontos de tráfico”, disse Gláucia. O promotor da Infância e da Juventude Augusto Arruda Neto acredita que uma série de fatores influenciam os jovens a cometerem infrações, mas os principais são a fragilidade das famílias e o acesso aos entorpecentes. “Concordo com o psicólogo da USP de Ribeirão Sérgio Kodato que elenca cinco motivos para a situação vivida pelos menores: a desestruturação familiar, o consumismo globalizado, conformismo social, ou seja, não adianta trabalhar nem estudar, a falta de limites e sensação de impunidade”. O promotor disse que há um trabalho punitivo dos infratores em Franca. “Se a polícia flagrar adolescentes em roubos ou tráfico de drogas, nós agimos e internamos na Fundação Casa. O menor apreendido pode perder a liberdade por até três anos”.

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