<p style="text-align: justify; ">O senador da República em segundo mandato pelo PTB, Romeu Tuma, 77, veio a Franca sexta-feira para participar da inauguração do escritório regional do partido. Durante visita ao Comércio da Franca, falou de suas relações com a cidade, comentou a crise pela qual passa o Senado e, com a autoridade de quem atuou 42 anos na polícia, comentou a Operação Quilate e criticou a Polícia Federal por tentar manter sob sigilo o nome das pessoas acusadas de envolvimento no comércio ilícito de diamantes e nas operações de câmbio irregulares. </p>
<p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Romeu Tuma tem fortes ligações com Franca. Uma tia morou, casou-se e teve filhos na cidade. Também cultiva amigos próximos, como o empresário calçadista Tony Salloum. “Eu amo Franca. Franca é um nome que dentro da minha família se fala desde criança”.</div></p>
<p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">O senador ingressou na carreira policial aos 20 anos quando foi aprovado em concurso para investigador. Em 1967, após formar-se em Direito, começou sua trajetória como delegado de polícia. Em 1983, assumiu a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo e, pouco depois, ascendeu a diretor-geral do Departamento de Polícia Federal, função em que permaneceu até 1992. Nesta entrevista concedida ao Comércio, o “Xerife”, como era conhecido, defendeu a liberdade de imprensa e criticou as autoridades por se negarem a divulgar a relação dos presos na Operação Quilate. “Acho que não se pode inventar, não se pode fazer vazamento em off (sem que a fonte assuma as declarações publicamente). Se está comprovado, tem que dizer porque foi preso e dar o nome”.</div></p>
<p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Romeu Tuma começou seu primeiro mandato como senador em 1995 após receber mais de 5,5 milhões de votos. Nas eleições de outubro de 2002, recebeu 7,2 milhões de votos e novo mandato com vigência até 2011.</div></p>
<p><div style="text-align: justify; "><br /></div><div style="text-align: justify; ">Atualmente, é um dos corregedores do Senado Federal. Admite que a imagem da casa ficou arranhada com a interminável crise provocada pelos atos secretos. Na entrevista a seguir, ele também fala sobre sucessão presidencial e afirma que a colega de plenário, Marina Silva, apimentará as eleições do ano que vem caso decida disputar a presidência da República. “Acho que ela vai trazer problemas para todos os candidatos”.</div></p>
<p><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; ">Comércio da Franca - Senador, qual o objetivo da sua visita à cidade de Franca?</span></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Romeu Tuma -</strong> Eu amo Franca. Até porque minha mãe tem uma irmã que viveu aqui, casou-se, teve filhos, a tia Elvira. Franca é um nome que dentro da minha família se fala desde criança. Então, quando o Campos Machado (presidente Estadual) do PTB marcou a inauguração do escritório regional do partido para a região de Franca, imediatamente quis me incorporar à caravana que veio. Porque essa ligação, mesmo com o jornal de vocês, com o seu Corrêa, que infelizmente nos deixou, com Tony Salloum, o pessoal da Francal, tenho muita ligação até pela frente parlamentar em defesa da indústria calçadista. Então é sempre bom para a gente ouvir informações, buscar como está esse processo industrial. Quais são as imposições que o governo está colocando para prejudicar e a gente tentar conseguir o que eles têm reclamado.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; ">Comércio - O PTB está com um plano bastante ousado para as próximas eleições. Inclusive a abertura deste escritório em Franca passa por esse processo de fortalecer o nome do partido. Como será o posicionamento do PTB no ano que vem? Ele deve lançar um candidato próprio à Presidência da República ou apoiar a candidatura do governador José Serra ou de repente a do Aécio Neves (ambos do PSDB)?</span></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Romeu Tuma -</strong> Estamos num trabalho regional. No nacional não decidimos sobre o caminho a tomar. O Campos (Machado) é o secretário nacional do partido. Aqui (no Estado de São Paulo) a ligação com PSDB é muito forte. Provavelmente a gente vai se coligar com o PSDB e apoiar o candidato do partido. Há dois candidatos em destaque e provavelmente um deles será escolhido. O PTB, por antecipação, está decidindo apoiá-lo. Mas como tem o G4, são quatro cargos - governador, vice e dois senadores - nós reivindicamos o lugar de senador na chapa para podermos aceitar a coligação.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; ">Comércio - Quando o senhor disse ‘aqui’ seria um apoio para presidente da República?</span></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Romeu Tuma -</strong> Não, é Estado. Por enquanto é Estado. Para presidência da República há alguns fatos para serem selecionados. Temos o ministro, o presidente Lula (Luiz Inácio da Silva), temos o líder que é muito ligado à ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil), ao governo Lula. Tudo isso tem que ser discutido e resolvido e o partido sair unido na decisão que houver. No Estado de São Paulo praticamente todos já aceitaram a coligação com o PSDB.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; ">Comércio - Como o senhor avalia a saída da senadora Marina Silva, sua colega de Senado, que deve se filiar ao Partido Verde para disputar as próximas eleições para presidente? Haverá reflexo na candidatura da ministra Dilma?</span></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Romeu Tuma -</strong> Sou meio suspeito porque sou admirador da Marina Silva. Conheço-a desde que fui para o Senado. É uma mulher respeitosa, tranqüila, tem definido seus objetivos. Defende muito o meio ambiente, que hoje é uma preocupação internacional. E é claro que o nome dela é de respeito, ética, dignidade, se conduziu bem no Ministério (do meio ambiente). E se saiu de uma forma um pouco desagradável para ela foi em razão de não ser atendida na sua postura, nos seus objetivos. Acho que se ela sair candidata vai trazer problemas para todos os candidatos. Será um racha na definição de muita gente que hoje pensa no meio ambiente e começa a tremer na base sem saber se fica com o candidato que hoje está na sua cabeça ou se vai para a Marina Silva.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; ">Comércio - Na sexta-feira o senador Aloizio Mercadante recuou na decisão de deixar a liderança do PT na Casa. Alguns senadores acreditam que essa decisão vai enfraquecê-lo. O senhor compartilha da mesma opinião?</span></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Romeu Tuma -</strong> O PT ficou numa situação um pouco confusa. Em razão, principalmente, da postura de ir para frente e vir para trás, apóia, não apóia, na questão do presidente Sarney. O Mercadante tomou uma posição de que o Sarney pedisse licença. Os outros partidos ficaram preocupados com esse pedido de licença porque daria, em tese, a presidência ao PSDB, ao Marconi Perillo, que é uma boa pessoa, mas assumiria ao longo do tempo em que persistisse a licença do presidente Sarney. Então houve uma reação de não permitir que o presidente saísse da presidência e nem poderia pedir a renúncia dele sem um processo formal, para lhe dar direito de defesa. O Mercadante ficou em uma situação difícil. Tanto é que ele ficou presente na Comissão de Ética, mas não podia votar em razão de não ser membro e não nomeou os membros titulares. Só ficaram os suplentes e eles não queriam votar. Ficou esse incidente e o próprio senador Delcídio (Amaral, do PT) hoje critica o Mercadante que os abandonou sem deixá-los nenhuma opção para discutir ou colocar os titulares para votarem. Ontem, no Twitter, ele disse que iria renunciar à liderança. E por apelo, segundo ele do presidente Lula, ele permaneceu na liderança do partido.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; ">Comércio - Por que o Senado Federal está sendo tão criticado e está havendo tantos bate-bocas entre seus membros? Inclusive o senhor apresentou uma recomendação para evitar esse baixo nível entre os colegas...</span></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Romeu Tuma -</strong> Como corregedor do Senado fiz uma norma e li na tribuna alertando que determinados comportamentos poderiam caracterizar pelo regimento quebra de ética e flagrante. Até porque a população estava vendo toda aquela agressividade, xingamento, coisas que eticamente não poderiam fazer parte de membros do Senado. Essas normas foram lidas como aconselhamento. Depois teríamos que tomar alguma providência mais grave se houvesse o desrespeito às normas regimentais. As discussões ficaram mais respeitosas, os senadores pediram desculpas em plenário e isso trouxe um pouco mais de tranqüilidade.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; ">Comércio - Essa crise manchou a imagem do Senado?</span></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Romeu Tuma -</strong> Ela já vem se arrastando há quase seis meses. Marcou muito. Acho que para recuperar nós temos que ter uma postura ética e de dignidade muito grande. Com a aproximação das eleições você não pode continuar nessas carreatas de agressões e ataques sem respeito nenhum, porque senão praticamente não vai ter nem gente para votar em candidato ao Senado.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; ">Comércio - O senhor atuou 42 anos como delegado de polícia e teve uma atuação marcante na Polícia Federal. Foi realizada em Franca, há uma semana, a ‘Operação Quilate’, que teve o objetivo de desmantelar uma quadrilha que atuava no comércio ilícito de diamantes, pedras preciosas e também na operação de câmbio de maneira ilegal. Seis pessoas foram presas com mandados expedidos pela Polícia Federal e a polícia se recusou a divulgar os nomes das pessoas presas para a imprensa. Como o senhor avalia esse tipo de procedimento?</span></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Romeu Tuma -</strong> Normalmente a gente não faz vazamento. Tem que dar entrevista, claramente, desde que os atos estejam comprovados. Agora a Polícia Federal está numa parede em que os advogados e, às vezes, os juízes têm impedido qualquer entrevista a respeito de processos que baixam como sigilosos. O que é um erro. A população fica ansiosa. Você está numa cidade como Franca, tem uma operação desse “quilate” e ninguém fala nada? A população fica perguntando: o jornal é desinformado? Não informa nada, não sabe nada? E a autoridade policial muitas vezes é compelida a negar a informação em razão de correr o risco de punição.</span></div></strong></p>
<p><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; ">Comércio - O senhor defende, portanto, a divulgação desses casos?</span></div><strong><div style="text-align: justify; "><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "><strong>Romeu Tuma -</strong> Defendo a liberdade de imprensa total. Acho que não se pode inventar, não se pode fazer vazamento em off. Não é um impedimento que vai agradar a sociedade e nem vai trazer virtudes à Polícia Federal.</span></div></strong></p>
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