Nas noites de sexta-feira e sábado, jovens costumam lotar as portas de bares e boates em Franca a espera da hora certa para entrar, dançar e namorar. Misturados à massa, estão grupos de garotas com idades entre 12 e 15 anos. Perto das 23 horas, elas interrompem discretamente a noite para fazerem um programa sexual. O dinheiro - cerca de R$ 50 por programa - garantirá a diversão das horas seguintes.
“Quando tinha 15 anos comecei a sair para boates, não tinha dinheiro, então fazia (programa sexual) para eu e minhas colegas podermos entrar e beber”, disse ontem ao Comércio uma das dez garotas citadas no inquérito aberto pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) para apurar um esquema para facilitação da prostituição infantil em Franca.
A situação descrita pela adolescente, que hoje tem 17 anos, foi repetida à reportagem por mais quatro meninas de 13, 14, 15 e 16 anos. O destino do dinheiro que ganham também parece ser o mesmo: “Comprar besteira, roupas e sair”, dizem com muita naturalidade.
Nenhuma delas fala que tenha sido obrigada a realizar os programas ou que fazia para conseguir dinheiro para comprar drogas. As histórias de exploração sexual estão ligadas principalmente à amizade existente entre elas, aos locais que frequentam - bares e boates na Estação, no Jardim Guanabara e na Zona Norte da cidade - e a clientes em comum.
“Na Estação tem sempre um monte de carros passando perguntando se você quer fazer programa. Você fica com seus colegas lá na porta da boate. É só entrar no carro e ir para o motel. Fiz isso pelo menos sete vezes, mas não era bom. Aqueles velhos de mais de 40 anos babando em cima da gente! Só voltaria se precisasse muito”, lembrou a jovem.
Poucas confirmam que se prostituem atualmente. A maioria diz que parou, mas conta detalhes minuciosos dos programas feitos por uma “amiga”. A história contada por uma, invariavelmente se cruza com a relatada por outra.
Uma adolescente de 16 anos, que nega envolvimento, descreve com tranquilidade o comportamento de uma amiga e vizinha de apenas 14 anos. “Todo lugar que a gente ia, ela entrava num carro e voltava uma hora depois com o dinheiro. (...) Depois, passou a dar o número do celular dela para uns ‘caras’ que eu não conheço. Eles ligavam e marcavam com ela”, disse a menor. À polícia, praticamente todas citaram os mesmos lugares e homens, que passaram a ser alvos de investigação. (Leia mais em texto de apoio)
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