Decifrando o espaço


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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) comemorou 48 anos no início deste mês. Não posso deixar de comentar do Instituto que abriu as portas e me deu muitas oportunidades para desenvolver tecnologia para o nosso País. Nem precisaria falar, mas o INPE é reconhecido no mundo todo tanto pela ciência quanto pela tecnologia, como os sistemas de monitoramento, estudos climáticos e previsão do tempo, ciências espaciais, atmosféricas e do ambiente terrestre, engenharia de satélites e pela excelência de seus cursos de pós-graduação. O que pouca gente sabe é que o INPE possui laboratórios em Combustão e Propulsão, Física de Materiais e Física de Plasmas. Presta serviços operacionais de previsão do tempo e clima, monitoramento do desmatamento da Amazônia Legal, rastreio e controle de satélite, medidas de queimadas, raios e poluição do ar, e realiza testes e ensaios industriais de alta qualidade. O instituto iniciou um ousado projeto espacial, a plataforma orbital multimissão, cujo primeiro projeto encontra-se em avançada fase de execução. A primeira plataforma deverá compor o satélite de sensoriamento remoto Amazônia-1, que permitirá um melhor acompanhamento de queimadas e desflorestamento. A segunda missão prevê a colocação em órbita de um satélite com imageador radar. E ainda, outro satélite, com experimentos científicos. Mais um projeto importante é o CBERS, Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, em parceria com a China. Até 2014 estão previstos os lançamentos de mais dois satélites deste programa: CBERS-3 e CBERS-4. O INPE mantém, desde 1993, o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais. Atualmente, o sistema é operado por dois satélites em órbita próxima do Equador, o SCD-1 e o SCD-2, primeiros satélites produzidos inteiramente no País e outro, em órbita polar, o CBERS-2B. O sistema conta, hoje, com mais de 750 PCD’s espalhadas pelo território nacional. Com relação à observação da Terra, destacam-se: o PRODES, Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite, considerado o maior programa de acompanhamento de florestas do mundo, por cobrir os 4 milhões de quilômetros quadrados de áreas florestais e por sua frequência anual; o sistema DETER, Detecção de Desmatamento em Tempo Real, que utiliza sensores com alta freqüência de observação para reduzir as limitações da cobertura de nuvens; e o DEGRAD, Sistema de Monitoramento de Áreas de Florestas Degradadas na Amazônia. Em breve, haverá também o DETEX, sistema que verifica áreas de exploração seletiva de madeira. Os recursos computacionais do INPE colocam o Brasil entre países que detém alta capacidade de processamento dedicado para operação e pesquisa em tempo e clima, uma área altamente vinculada ao desenvolvimento do País, em especial nos setores agrícola, energético e na conservação do meio ambiente. Mario Eugenio Saturno Tecnologista sênior do INPE, professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva

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