A base de sustentação do governo votou contra Sidnei Rocha (PSDB). O único voto favorável partiu do PT, partido conhecido por fazer forte oposição à administração na Câmara. Numa noite em que as tendências se inverteram, a Câmara rejeitou por 13 votos a um o projeto de autoria do Executivo que tratava do tombamento do prédio da AEC-Castelinho localizado no Centro. Apesar de ninguém ter defendido a proposta no plenário, as discussões a respeito se arrastaram por mais de duas horas e apimentaram uma sessão repleta de projetos técnicos.
O pedido de tombamento partiu do Condephat (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural) e teve como base os aspectos arquitetônicos do imóvel, a data de construção (1954) e sua história na cidade. Sidnei Rocha encaminhou a proposta para apreciação dos vereadores.
Na Câmara, a idéia não foi bem recebida. Dispostos a rejeitar o tombamento, os vereadores firmaram posição após ouvirem o presidente do Castelinho, Clóvis Alberto de Castro, afirmar que os associados haviam aprovado em assembléia vender o prédio para saldar dívidas do clube. “O tombamento afastará os interessados em comprar o imóvel. A venda ajudará a salvar o que sobrou do clube”, disse Clóvis.
O vereador Válter Gomes (PSB) foi o primeiro a se posicionar contra. “Sabemos da necessidade de se preservar prédios históricos, mas a associação passa por problemas financeiros. O tombamento afasta interessados. Por que a Prefeitura não adquire o prédio e instala uma casa da cultura no local?”, sugeriu. Graciela Ambrósio (PP) tentou impedir a votação, justificando que a decisão não seria responsabilidade dos vereadores. “Não cabe à Câmara votar. O prefeito tem as prerrogativas para decidir. Se quiser, ele pode fazer o tombamento. Que o prefeito assuma a responsabilidade”.
Paulo Zamikhowsky (PSB) afirmou não ver motivos para o tombamento. “Não me parece que aquele prédio seja uma jóia arquitetônica ou um símbolo tão grande da cidade, como foi o Hotel Francano. Laércinho (PP), por sua vez, lembrou que não havia nenhum representante do Condephat para defender a aprovação. “Toda entidade que tem interesse em algum projeto, vem aqui e lota o plenário. Hoje (ontem), não apareceu ninguém”.
Apesar da rejeição ser uma certeza, os vereadores continuaram debatendo noite a dentro. Durante um dos intermináveis apartes, Jépy Pereira (PSDB), líder do prefeito na Câmara, provocou a ira da oposição ao dizer que acreditava que até o prefeito - autor do projeto - era contra o tombamento. A reação de Silas Cuba foi imediata. “Não vou votar este projeto. É um absurdo mandar um projeto para ser rejeitado. Não me presto a este serviço, pois estarei fazendo papel de palhaço, de trouxa”.
Depois de muita discussão, em que foram debatidas até mesmo as privatizações feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, enfim, o projeto foi votado. Silas cumpriu a ameaça e se retirou do plenário. Seu companheiro de partido, Paulo Afonso Ribeiro, surpreendeu e foi o único a dizer sim à proposta do prefeito. “Votei de acordo com minha consciência. Precisamos respeitar o Condephat. O prédio tem seu valor arquitetônico e merece, sim, ser tombado. Por outro lado, a base do prefeito estava orientada a votar contra para favorecer o Castelinho e dar condições que possam vender o prédio”.
Alheio à polêmica, o presidente do Castelinho comemorou. “O sentimento é de alívio. Nós estávamos muito apreensivos. A rejeição vai fazer com que a gente possa vender o prédio e pagar as dívidas trabalhistas que põem em risco todo o clube”, comentou.
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