Grito de socorro


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<b>SOLIDARIEDADE</b> - Francisco dos Santos no pequeno quarto onde vive, na casa da filha. Aos 85 anos, precisou amputar a perna direita. Passando por dificuldades, família pede fraldas e um colchão
<b>SOLIDARIEDADE</b> - Francisco dos Santos no pequeno quarto onde vive, na casa da filha. Aos 85 anos, precisou amputar a perna direita. Passando por dificuldades, família pede fraldas e um colchão
Os carros abandonados na entrada da casa e o compressor de tinta encostado num canto nem de longe lembram a rotina ativa que o casal Maria do Carmo Pimenta, 45, e Roseni Morais, 53, tinha até 2007. Em janeiro daquele ano, uma forte dor de cabeça que acometeu o senhor anunciava uma reviravolta na vida dos dois. Roseni sofreu um derrame. Ficou com sequelas. Depois de sete meses preso a uma cadeira de rodas, voltou a andar, mas o lado direito do corpo ainda está comprometido. A fala não foi recuperada e as previsões médicas indicam que isso nunca mais acontecerá. Roseni e Maria do Carmo trabalhavam juntos na funilaria improvisada na garagem, no Jardim Paulistano II. Reformavam todos tipos de veículos, inclusive ônibus. Depois do derrame, foram obrigados a abandonar as ferramentas e horas a fio trabalhando, de domingo a domingo. Roseni gostaria de voltar a dar roupagem nova aos automóveis ou ganhar as estradas como motorista, mas o próprio corpo impede a realização de suas vontades. Nos últimos meses, Maria do Carmo se recuperou da infecção nos rins e luta diariamente contra pensamentos depressivos. Não bastassem as dificuldades para cuidar do marido, Maria do Carmo precisa cuidar do pai, um senhor de 85 anos. Como o casal, Francisco dos Santos tinha uma rotina ativa e independente, mas também foi vítima de um dos baques que a vida dá. Em março de 2009, teve trombose na perna esquerda e precisou fazer uma cirurgia. Quatro meses depois, enfrentou o mesmo problema na outra perna e passou a viver mutilado. A amputação que lhe roubou metade da perna direita foi feita há 20 dias. O senhor mora com a filha há dez anos. Vive num pequeno cômodo na entrada da casa feito pelo genro Roseni. Ali, o senhor passa o dia. Faz as refeições e recebe os cuidados da filha. Maria do Carmo divide a assistência ao marido e ao neto de 8 anos com o pai. São curativos na perna amputada, refeições e banhos. Como o senhor é pesado e o marido de Maria do Carmo não tem condições de ajudá-la a transportar Francisco até o banheiro, a higiene é feita ali mesmo. A filha enche um balde com água quente e banha o pai sobre o colchão, que é de pano. Eles possuem dois colchões. Enquanto um seca, o outro é usado para ele se deitar. Maria do Carmo teve uma idéia para reduzir os transtornos. Não pede ajuda de ninguém; apenas a doação de um colchão encapado com plástico para que possa ser molhado. Os dois banhos diários continuarão no quartinho apertado e feito com balde e caneca. “O de pano estraga, fica com mau cheiro”. Maria do Carmo tem vontade de trabalhar, mas se dedica praticamente o dia inteiro ao marido e ao pai. Roseni e Francisco recebem benefício do governo. Cada um ganha R$ 465. Só com fraldas para o pai, ela gasta R$ 12 a cada dois dias. “O dinheiro deles não dá. Tenho de comprar remédios que não tem na rede pública, sustentar nós três e minha filha e meu neto que moram aqui e sempre tenho de ter dinheiro reservado para pagar os táxis para ir até o médico ou para alguma emergência”. A senhora tem outros irmãos, mas moram fora de Franca. Em que pese as dificuldades, a filha não abre mão de ter o pai sob seu olhar. Não quer vê-lo em uma casa de velhos. “Jamais vou colocar meu pai num asilo. Enquanto eu tiver força vou cuidar dele e do meu marido. Eles me ajudaram tanto. Peço ajuda para cuidar deles. Não posso ter vergonha disso. Vergonha é roubar, matar”, disse ela. Maria do Carmo pede fraldas G (adulto), colchão, roupas de cama, leite e alimentos. O endereço é Rua Wilson Abrão Elias, 810, no Jardim Paulistano II.

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