Perfume de mulher


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O Cinema e a Psicanálise nasceram praticamente juntos, em 1895, e se entrelaçaram numa feliz combinação que tem em comum trazer à tona emoções, dar-lhes sentido e redirecionar as mais íntimas experiências afetivas do ser humano. Quando as pessoas mergulham no clima escuro da sala de cinema, diminuem o impacto dos estímulos conscientes do mundo exterior para entrar naquela estória de enredo original, cheia de personagens vívidos e que transcorre de forma semelhante ao sonhar noturno. O que estas pessoas estão buscando? Diversão, descanso ou algo mais? Penso que há uma busca por uma via de comunicação maior que permita contato com as emoções mais poderosas, ainda não metabolizadas, numa tentativa de transformação e revitalização. Esta experiência lembra o mergulhar na intimidade de uma sala de análise, embora em contextos e funções diferentes. O nascimento desta vivência tem ocorrido em nossa cidade há nove meses, como uma fértil e recíproca interação filme-psicanalista-platéia. Vem sendo gestada a cada mês, quando um psicanalista em formação ou com funções didáticas é convidado a apresentar um filme selecionado. Primeiramente este é exibido em sessão aberta ao público, no anfiteatro da sede campestre do Centro Médico de Franca. Em seguida há uma palestra e debate com os presentes sobre a temática do filme. A finalidade destes encontros, que têm lotado o auditório do Centro Médico, é transmitir em linguagem coloquial os conhecimentos revolucionários que a psicanálise tem ousado investigar ao longo de mais de cem anos. Assim como o psicanalista não considera seu paciente um participante passivo do tratamento, aquele que faz os comentários sobre os filmes também não considera o público mero espectador. Ele se propõe a abrir um diálogo que permita reflexões novas e enriquecedoras para a autonomia de cada pessoa. Após os eventos os comentários ficam disponíveis no site www.cinemaepsicanalise.com.br. Até agora, o que tem ocorrido em nossa cidade é um crescente interesse das pessoas. É neste clima que os organizadores vão receber no próximo sábado a psicanalista de Ribeirão Preto, Cora Sophia Schroeder Chiapello. Ela falará sobre o filme Perfume de Mulher, de Martin Brest, “uma bela demonstração do poder do amor nas relações humanas. A unidade do ser humano é o par, disse Bion. Este filme mostra que não é o par homem-mulher, mas o par formado por duas mentes”. Cora explica: “O coronel Frank Slade (Al Pacino) mergulhado nas trevas da cegueira real, mas sobretudo da cegueira mental e afetiva, vive miseravelmente nos fundos da casa de uma sobrinha. O estudante Charles Simms (que se presta a cuidar dele por um fim de semana, a fim de obter um ganho extra) sofre ameaça de ser expulso do colégio, onde tem bolsa, se não delatar colegas a quem viu praticar uma ação infame. São duas situações completamente diversas, duas vidas que nada têm em comum, exceto que ambos carregam, a seu modo, a capacidade de amar e a sensibilidade diante da dor do outro. O filme mostra de forma fascinante a ação transformadora e criativa da relação que vai se construindo, até a apoteose final, que representa a esperança sempre presente de dar sentido à vida. E do poder que existe em cada um de nós de lutar pelos nossos ideais.” <b>PERFIL DA PSICANALISTA</b> Cora Sophia é formada pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto da qual é diretora-secretária. Seu currículo mostra ampla formação humanística: Serviço Social, Faculdade de Música (piano) e Faculdade de Psicologia pela USP. Fez parte da equipe do Hospital Dia do Instituto de Psiquiatria Dinâmica de Ribeirão Preto, ao longo dos anos, e de todo o processo de formação do núcleo de psicanalistas que hoje compõe a Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto. Durante um ano estudou filosofia na Universidade de Paris. E encontrou em Lacan uma fonte de ampliação para seus conhecimentos. Freud e Lacan são nomes indissociáveis em qualquer menção que se faça ao advento da Psicanálise. E a ambos Cora Sophia recorre para lembrar que com eles “tudo se transforma, pois não será mais apenas a consciência a definir o homem... Este se descobre estranho a si mesmo. E só pode se conhecer a partir do diálogo com o outro. Para Lacan o Outro é o que escuta, o que simboliza e introduz a criatividade de novas concepções sobre o mundo... O modelo de aprendizagem que ocorre numa análise é sempre a de alguém que deverá fazer melhor da próxima vez. E fazer melhor é fazer algo totalmente diferente (...) O processo psicanalítico traz um sentido à vida e liberta o indivíduo da repetição de hábitos de conduta pouco adaptados (...). Busca a desmistificação libertadora na relação com os outros (...) porque existe uma diferença radical entre o que pensamos ser e o que realmente somos, entre o eu consciente e o sujeito do inconsciente, onde reside a verdade a ser descoberta.” <b>SERVIÇOS</b> Evento: Cinema e Psicanálise Filme: Perfume de Mulher Apresentação: Cora Sophia Schroeder Chiapello Quando: 22 de agosto Horário: 15 horas Onde: Sede Campestre do Centro Médico de Franca Inscrições: R$ 5

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