Decorridos ontem, cinco meses de previsão que aqui fiz, não resta esperanças quanto ao “sair do pé” sobre o que aqui escrevi. Destacávamos a declaração da Secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, de encontro ao interesse do trabalhador brasileiro, tirando-o do foco principal da arrecadação. Lina deixava esperança em dedução de gastos médicos e medicamentos, visando facilitar de maneira mais justa os descontos nas várias áreas do ensino, acachapante para o bolso médio e pobre de nossa gente.
Tem sido assim no País. Quando aparece alguém sonhando, com justiça, mudar alguns focos, especialmente contrariando potentados – mandantes e seus próximos – vaticine-se como certa sua degola. A mídia brasileira vem se ocupando da dispensa de Lina, da Receita Federal, com requinte de clareza dos seus motivos. O ministro Guido Mantega disse que “a ordem veio de cima”. Corre que as manobras engendradas na Petrobras, diminuindo a arrecadação, – causa de uma CPI perturbadora – trariam turbulência ao pretendido em 2010.
Os fatos pautados bastariam, de sobra, para fazer despencar de qualquer cargo, a insigne e tradicional Vieira, funcionária de carreira da Fazenda, espalhando pedras no caminho da negociata e do continuísmo lulista, com deslustre de um partido descaracterizado pelo mandonismo egoísta de uma só voz. O líder do PT no Senado, Mercadante, serve muito bem de guia para boa reflexão sobre como andam as coisas no partido, externando opiniões sem pedir licença a quem realmente manda, forçando-se a voltar atrás, em seguida.
As declarações recentes de Lina, relacionadas ao encontro convocado pela Ministra da Casa Civil, que nega, como de hábito da escola do chefe e da guerrilha, mostram o interesse vivo em encerrar com velocidade, na Fazenda Federal, a tramitação de investigação ligada ao clã Sarney, incluindo empresas próximas de seus membros.
Ponho-me a pensar em um projeto que possa redimensionar princípios e ética administrativa e governança honrada, mas não avanço ao ao mirar no cenário à minha frente, um Duque, sem honra, sem mérito, sem voto, sem compostura, inexpressivo, causador de asco, enviar para o arquivo, 11 processos de acusação de um senil aboletado na cadeira de mando conveniente a meia dúzia de trapaceiros, – seus iguais –, a quem cabe, por qualquer preço, defender sua própria estabilidade. Estabilidade que defendem em nome da mentira tão seriamente contestada com o titulo de biografia carente de análise correta, pois existe boa ou má, sendo no caso em pauta a mais negra da história republicana brasileira, degenerescente e torpe.
O Presidente do Conselho de Ética do Senado, o desconhecido Paulo Duque, julgou pela inexistência de provas e falta de sustentabilidade em onze processos contra Sarney. Garantiu o caminhar tranquilo dele, na malversação de recursos públicos.
Lúgubre e triste final dos tempos, em que esperanças se acabam, luzes se apagam, caras se ruborizam – ainda, algumas –, obrigando-nos a ponderar sobre o inevitável e urgente acordar pela desistência da aceitação do Senado, instituição que não cumpre com seus deveres de julgar, aconselhando com nobreza, possa prosseguir existindo e emporcalhando nossa história de honra.
Vieira deverá ser hoje ouvida pelo Senado, confirmando as acusações a Dilma, que nega o encontro entre as duas, mas, no entanto, rejeita a acareação por justiça, desejada.
Garcia Netto
Jornalista
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