Desde quarta-feira, os discos montados sobre as bancas de madeira não estão mais rodando. O barulho da pedra sendo lapidada sobre o aço diamantado não é mais ouvido. Com medo da Polícia Federal, os lapidários desligaram as máquinas. Estão esperando a poeira baixar para religá-las. Se é que um dia elas voltem a funcionar novamente nas salas dos poucos lapidários que hoje ainda atuam na cidade.
No auge do diamante, Franca chegou a concentrar mais de 100 lapidários. Em média, tiravam US$ 1 mil por mês. Toda a negociação era feita com base na cotação da moeda americana. Cenário muito diferente do atual. Até a semana passada, apenas cerca de 20 pessoas ainda se aventuravam no ramo. Os vencimentos caíram para menos de R$ 1 mil. “A situação começou a ficar ruim quando os coreanos sumiram de Franca há uns cinco anos. Eles eram bons compradores. Por causa da fiscalização, os garimpos diminuíram muito a produção. A crise econômica mundial que estourou no ano passado foi a gota d’água. Hoje, a profissão está acabando”, disse um autônomo que trabalha há mais de 30 anos no setor e falou sob a condição de anonimato.
Há pouco tempo, um comprador que chegasse com US$ 30 mil em Diamantina já tinha conseguido comprar tudo o que queria e podia até a hora do almoço, relata o lapidário. “Atualmente, é coisa rara encontrar um bom diamante”, disse. Uma pedra de dois quilates custa em torno de US$ 800 no garimpo. É revendida pelo dobro. “Hoje ficou difícil para comprar. Você passa a semana toda lá e não encontra nada de boa qualidade”, lamenta.
José Roberto de Assis, o “Robertinho”, era um dos maiores lapidários em atividade na cidade. Sua banca montada na região da Ponte Preta tem oito rodas (onde são lapidados os diamantes) e capacidade para oito pessoas trabalharem. Ele foi preso e teve alguns equipamentos essenciais para a atividade apreendidos pelos federais. Com sua prisão, os lapidários ficaram amedrontados.
Evitam falar ao celular - desconfiam que possam estar sendo grampeados - e resolveram abandonar o serviço por hora. “Todos estamos muito assustados. Ninguém está trabalhando mais. Alguns até deixaram cidade. Fecharam tudo e trancaram as portas. As oficinas estão fechadas. Ninguém vai mexer com isto mais, não, enquanto a coisa não esfriar”, disse outro lapidário.
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, os comerciantes presos eram responsáveis por manter os lapidários que restam em atividade na cidade. “Se o Jorge Khabaz parar, por exemplo, acaba com o resto. Dava serviço direto e sempre comprava de tudo”, disse um dos entrevistados. Preocupados com o futuro, os lapidários disseram já começam a pensar em outro ramo de atividade para garantir o sustento.
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