Trabalhar em casa atrai cada vez mais profissionais


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A vida profissional atribulada dos dias atuais impede muitos pais de acompanharem os filhos tão de perto como gostariam. A carga horária de trabalho extensa dificulta dispensar a atenção desejada aos cuidados com a casa. Uma alternativa cada vez mais praticada para resolver esses tipos de problema é o trabalho em casa - home office. A opção tem ganhado muitos adeptos. Segundo a revista Você S/A, estimativa da Sociedade Brasileira de Teletrabalho aponta que a quantidade de pessoas que trabalham em casa cresce 10% ao ano. Vendedores, jornalistas, publicitários, tradutores, designers, advogados, arquitetos, engenheiros e pesquisadores estão entre os profissionais beneficiados pela opção de manter os mesmos endereços residencial e comercial. Vantagens? São muitas: horários mais flexíveis, proximidade da família, economia e uma vida livre do estresse no trânsito. Além de um ambiente mais confortável, prazeroso e mais produtivo, afinal estar longe da concorrência direta de outros profissionais e da pressão dos chefes ajuda no rendimento. Mas essa opção não é para todos. Sem disciplina, não funciona. Encontrar o equilíbrio entre as horas dedicadas ao trabalho e à família não é tarefa muito fácil. Eva Susana Soares de Oliveira, professora nos núcleos de Administração e Marketing da Unifran (Universidade de Franca), ensina a manter a produtividade em casa. O advogado Renato Maso Previde, 37, se formou em dezembro de 1998 e no ano seguinte passou a exercer a profissão. Há pouco mais de dois anos, após trabalhar em um escritório alugado por R$ 500 na Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso, se instalou numa área construída no mesmo terreno de sua casa. O endereço é sugestivo: Rua da Justiça, no Parque Francal. “Antes dessa decisão (de ter residência e local de trabalho juntos) me questionei muito e me lembrei que nossos avós tinham consultórios no mesmo terreno”, disse ele. Renato consegue administrar bem a vida familiar e profissional e enumera as vantagens de sua opção, mas faz questão de reforçar que disciplina é essencial para quem pretende seguir a mesma idéia. E é exatamente neste ponto que os especialistas de Recursos Humanos sempre martelam. Paulo Previde diz que consegue aliar o profissionalismo do escritório com as obrigações de casa. Mas para isso mantém uma rotina rígida de horários e sempre deixa claro para os clientes que o horário de atendimento no escritório deve ser respeitado. Normalmente, o advogado trabalha das 8h30 às 12h30, tem uma hora para almoçar, e retorna às 13h30 para “sair” às 18 horas. “Mantenho uma rigidez dos horários. Não posso abrir exceções e interromper a paz que tenho em casa para trabalhar. Não levo funções do escritório para casa nem o contrário”. Em outro endereço, a experiência de trabalhar no próprio lar é vivida por um casal. Casados há 13 anos, a manicure e depiladora Alessandra Lúcia Rosa, 30, e Paulo Sérgio Rosa, 39, trabalham juntos e em casa há sete anos. Na época, com orçamento apertado e uma filha pequena para cuidar, ele resolveu fazer um curso de cabeleireiro e trocar o emprego de sapateiro para trabalhar com a mulher. Na casa onde a família mora hoje, quatro dos sete cômodos foram usados para montar o salão de cabeleireiro, sala de depilação e para fazer unhas e uma loja de roupas. Além da economia alugando apenas um imóvel para morar e trabalhar, o casal tem condições de oferecer uma educação mais presente à filha Rafaela, de 11 anos. A garota, por iniciativa própria, aproveita para aprender o ofício dos pais. “É muito bom estar perto da minha filha. Sempre sei o que ela está fazendo. Ela costuma oferecer para ajudar eu e o pai dela no atendimento às clientes. Acho bom porque se um dia ela estiver casada, com filhos e sem emprego, poderá trabalhar com a nossa profissão”.

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