‘Continuo achando a Câmara frouxa’


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NA BATALHA POR RESPEITO - Graciela David Ambrósio é a única vereadora de Franca nesta legislatura. Na entrevista critica seus colegas e fala sobre suas pretensões políticas
NA BATALHA POR RESPEITO - Graciela David Ambrósio é a única vereadora de Franca nesta legislatura. Na entrevista critica seus colegas e fala sobre suas pretensões políticas
<p>Quem nunca assistiu a uma sessão da Câmara Municipal e vê a vereadora Graciela de Lourdes David Ambrósio (PP) circulando pelos corredores da Casa tem a impressão de ter encontrado uma mulher frágil e sensível. Ledo engano. A voz mansa, estatura pequena e postura sempre elegante não impedem que ela confronte os colegas de plenário. O mais recente episódio foi registrado na sessão do dia 21 de julho. </p> <p>Graciela rebateu, na tribuna, as declarações do líder do prefeito na Câmara, Jepy Pereira. O vereador disse que, assim como ele, outros parlamentares estariam incomodados com a assessoria que o diretor-administrativo da Câmara, Afonso Theodoro, presta à Graciela. Irritada, a vereadora respondeu olhando nos olhos de Jepy e apontando o dedo para os demais: “Se vocês não conseguem ter uma assessoria dessa, procurem outra. Não fiquem avacalhando com meu mandato. (...) Se as orientações dele me cabem, eu sigo. Se não, eu não sigo. Gosto das orientações, confio e sigo. Faço aquilo que acho que devo”, retrucou.</p> <p><br />A postura demonstrada pela vereadora tem rendido frutos. Nas eleições de 2008, Graciela foi a vereadora mais votada. Recebeu 5.088 votos. A um ano das eleições estaduais e presidenciais, ela é sondada por partidos que querem lançá-la como candidata a deputada federal ou estadual. Integrantes do PR (Partido Republicano) de São Paulo estiveram em Franca em julho e convidaram a vereadora para assumir o diretório local. Em troca, ofereceram apoio caso ela queira disputar o cargo de deputada. “Fiquei de dar a resposta, mas estou pensando. É um assunto muito sério. Para assumir o compromisso com eles teria de desistir do cargo de vereadora. (...) No momento não tenho pretensões de nada”, afirma.</p> <p><br />Em entrevista ao <strong>Comércio</strong>, Graciela falou da sua relação conturbada com os colegas, especialmente os tucanos e os de sua base, elogiou os petistas e atacou Jepy: “Ele é um invejoso”.   </p> <p><strong>Comércio da Franca - Nos seis primeiros meses do novo mandato, a administração foi a principal fonte de projetos da Câmara. A que a senhora atribui essa falta de iniciativa dos vereadores em apresentar propostas e gerar discussões?<br />Graciela David Ambrósio</strong> - É bom frisar que alguns projetos do prefeito são até desnecessários, como o aumento do pagamento da empresa de lixo, que não havia necessidade de passar pela Câmara, e vários outros envolvendo os vereadores desnecessariamente. Ele (o prefeito) poderia fazer por conta própria sem depender da autorização do Legislativo. Uma das principais funções da Câmara consiste em apresentar, discutir e votar projetos. Acho que falta um pouco de criatividade e iniciativa.</p> <p><br /><strong>Comércio - A senhora, em seis meses, entre projetos de lei e de resolução, fez apenas seis proposituras. Por que, então, não sugeriu novas matérias?<br />Graciela</strong> - Acredito que fui bem nesse início de mandato. A atuação do vereador não se resume à apresentação de projetos. Também conta a fiscalização e posicionamentos assumidos, denunciando as irregularidades como fiz em várias oportunidades. Tenho vários projetos para apresentar. No ano passado, fui a vereadora que mais apresentou. Descontados, é claro, os projetos de nomes de ruas, de criação de datas comemorativas e homenagens. Estes eu não costumo propor. <br /><strong></strong></p> <p><strong>Comércio - Como não são apresentados projetos sempre e nem por todos os vereadores, o que a Câmara poderia fazer de melhor para a cidade?<br />Graciela</strong> - Participar da discussão de temas relevantes. Deveria assumir posicionamentos em determinadas questões de interesse público. Promover a aproximação com a comunidade, envolver a população nos trabalhos. Apresentar projetos com repercussão direta na vida das pessoas. <br /></p> <p><strong>Comércio - De cada dez requerimentos que a senhora apresenta, nove são rejeitados pelos seus colegas. O que a senhora acha disso?<br />Graciela</strong> - (pausa) Derrubar requerimentos que pedem explicações ao prefeito é negar a função própria da Câmara. Os vereadores estão dando um tiro no pé ao rejeitar essas matérias. Já me informaram que alguns vereadores estão acertados para ficar contra todos os projetos de minha autoria, para me neutralizar. Mas não desanimo. Sou persistente. Já demonstrei isso. Apresento e reapresento meus projetos quantas vezes forem necessárias. Eles que expliquem os seus votos contrários à população. <br /></p> <p><strong>Comércio - Em abril de 2008, a senhora disse, em entrevista ao Comércio, que a Câmara era frouxa. Mesmo assim, sete dos quinze vereadores da época foram reeleitos. O pensamento da senhora sobre o Legislativo Municipal mudou? <br />Graciela</strong> - Pelo que temos visto até agora a Câmara atual não mudou muito em relação à Câmara passada. Apesar da troca de oito vereadores, o prefeito continua com ampla maioria para a aprovação dos seus projetos. Apenas uma minoria mantém uma linha de atuação comprometida com uma fiscalização rigorosa do Executivo e não segue a cartilha do prefeito. A Câmara como um todo continua alienada e submissa ao Executivo. Concorda com tudo que o prefeito manda, inclusive, com projetos em regime de urgência sem prazo maior para estudos. É desejada uma atuação melhor no sentido de fiscalizar, estudar as matérias e não aprovar tudo a toque de caixa, enfim, valorizar o próprio papel do Poder Legislativo. Mas o que se vê são algumas situações medíocres, uma Câmara reduzida a um mero papel de coadjuvante do Executivo. <br /></p> <p><strong>Comércio - A senhora diz que a Câmara poderia ser mais destemida, combativa e atuante. A senhora se considera uma vereadora com esses perfis?<br />Graciela</strong> - Eu me considero sim. Tenho enfrentado situações na Câmara que me fazem sentir corajosa. Eu não cedo a pressões e enfrento todas as situações. Quem manda em mim é o povo.<br /></p> <p><strong>Comércio - Como a senhora vê a relação dos vereadores com o prefeito?<br />Graciela</strong> - Noto um excesso de bajulação por parte de alguns vereadores. Querem agradar o chefe e não contrariá-lo de jeito nenhum. Isso é ridículo. Barram qualquer matéria que possa importunar ou incomodar o prefeito. Acho que a atuação da Câmara deixa a desejar. Por esses motivos, continuo achando a Câmara frouxa.<br /></p> <p><strong>Comércio - Os vereadores Laercinho e Marco Garcia são da sua base, o PP. Quem acompanha as sessões percebe que vocês definitivamente não trabalham em equipe...<br />Graciela Ambrósio</strong> - Os vereadores que você citou são mais ligados ao Executivo. Ficam sempre do lado do prefeito, alinhados. Prezo pela minha independência política e procuro ter uma atuação comprometida, acima de tudo, com o interesse público. Não aceito imposições do Executivo. Quando fiquei sem partido, fui insistentemente convidada para me filiar ao PP. Vários partidos me convidaram. Quando me filiei ao PP, eles já sabiam do meu posicionamento político independente e aceitaram. Isso foi muito bem conversado antes. (...) Eles queriam o meu nome e minha votação para fortalecer o partido e para atrair novas filiações.</p> <p><br /><strong>Comércio - Essa falta de apoio dos seus colegas de partido incomoda?<br />Graciela Ambrósio</strong> - Eu não me incomodo, mas acho que eles se incomodam com a minha postura. Não tenho do que reclamar. Tenho liberdade dentro do partido. É claro que quem pensa em partido pensa em união, pensa em grupo, mas, se isso não é possível, paciência. <br /></p> <p><strong>Comércio - Esse seu posicionamento já criou problemas dentro do PP que dá todo seu apoio ao prefeito?<br />Graciela Ambrósio</strong> - O PP não apóia o Sidnei Rocha. É mais do que isso. O diretório do PP em Franca é comandado pelo prefeito. Praticamente todos os cargos do diretório são preenchidos por ocupantes de cargos de confiança do prefeito. As posições que assumo são relacionadas ao cumprimento do meu dever como vereadora. Não poderiam ser reprimidas ou censuradas dentro do partido. Não fico contra os projetos apenas para ser do contra. Quando me posiciono desfavorável, explico minhas razões e convicções. Não faço oposição sistemática ao Executivo.</p> <p><br /><strong>Comércio - Os petistas (Silas Cuba e Paulo Afonso) a apoiam quase sempre. Como a senhora avalia o trabalho do PT na Câmara?<br />Graciela</strong> - Eles cumprem bem seu papel de vereadores. A atuação de ambos é mais coerente com o que se espera da atuação da Câmara, do dever do Legislativo, que é o de fiscalizar o Executivo e não apenas concordar com tudo. Outros vereadores também têm votado comigo em algumas matérias como Vanderlei Tristão (PTB) e Valter Gomes (PSB) e Oscar Mércuri (PP).<br /></p> <p><strong>Comércio - O vereador Jepy Pereira discutiu com a senhora na sessão do dia 21 de julho por conta do que considera uma assessoria particular do Afonso (diretor administrativo) em relação à senhora. O que pensa a respeito?<br />Graciela</strong> - É inveja, ele é um invejoso que já se utilizou da mesma assessoria durante toda a vida política dele. Se ele estivesse se assessorando com o Afonso, com certeza, não estaria fazendo tanta besteira como está fazendo no mandato dele. Não estaria fazendo tanto ridículo. Acho que o vereador está incomodado com minha atuação. O Afonso é um profissional do qual todos gostariam de ter colaboração. <br /></p> <p><strong>Comércio - O Jepy disse que pedirá a suspensão da sessão sempre que o Afonso entrar no plenário para falar com a senhora. Acha que ele levará essa ameaça adiante? <br />Graciela</strong> - Quem é ele para fazer isso? Acho que isso é a coisa mais ridícula que ele poderia ter falado. Isso é um absurdo e demonstra ciumeira política. Não tem amparo legal. Teria que tirar todo mundo, os assessores que ficam lá e, principalmente, o assessor do prefeito que fica lá plantado dando orientações do Executivo, principalmente para ele. Isso sim está errado. Mas não é de se estranhar vindo dele, pois já quiseram até calar o povo, impedir a manifestação do povo no plenário da Câmara, como foi o caso dos estudantes e dos representantes da organização protetora dos animais.<br /></p> <p><strong>Comércio - Pelo fato de ser a única mulher na Câmara, esperava que o tratamento dos vereadores com a senhora fosse diferente?<br />Graciela Ambrósio</strong> - Lembro-me que no meu discurso de posse mencionei uma entrevista da primeira vereadora de Franca, a Nair Salomão, que assumiu a cadeira em 1947. Ela se recordava (na entrevista) da maneira gentil e respeitosa com que era tratada pelos seus colegas vereadores da época. Comentei que sentia inveja do tratamento que ela recebia, pois enfrento até grosseria na Câmara por parte de alguns colegas. Isso é falta de cavalheirismo. Mas encaro com naturalidade. Na política, encontramos todos os tipos de pessoas. Isso não me intimida. Pelo contrário. Isso me desafia e encoraja. <br /></p> <p><strong>Comércio - Quais seus planos políticos? Em 2010 haverá eleição. Pretende disputar o cargo de deputada?<br />Graciela</strong> - Tenho ouvido o meu nome ser cogitada como candidata. Isso é para mim uma honra e demonstração de confiança no nosso nome. Mas, por enquanto, não tenho pretensão de ser candidata. Pretendo cumprir meu mandato de vereadora com a responsabilidade da votação recebida nas últimas eleições.</p> <p><br /><strong>Comércio - Mas há alguma possibilidade de a senhora sair candidata?<br />Graciela</strong> - O futuro dirá. Se for da vontade de Deus e da vontade popular, talvez eu poderei aceitar. Mas, no momento, repito, não tenho pretensão.</p>

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