‘Operação Quilate’: comerciantes presos são enviados para CDPs


| Tempo de leitura: 3 min
SEM DETALHES - As autoridades, como o delegado da PF, Felipe Hayashi, se recusam a fornecer dados sobre as prisões em Franca. Ainda não se sabe oficialmente os nomes, o crime de que cada um é acusado e onde exatamente eles estã
SEM DETALHES - As autoridades, como o delegado da PF, Felipe Hayashi, se recusam a fornecer dados sobre as prisões em Franca. Ainda não se sabe oficialmente os nomes, o crime de que cada um é acusado e onde exatamente eles estã
Os comerciantes presos em Franca durante a Operação Quilate, na quarta-feira, continuam à disposição da Polícia Federal. Eles estão agora recolhidos em meio a detentos comuns nos CDPs (Centro de Detenção Provisória) de Ribeirão Preto e Serra Azul. Todos serão levados à delegacia apenas para prestar esclarecimentos. Seus advogados de defesa passaram a quinta-feira trabalhando para revogar as prisões, mas os pedidos ainda não foram analisados pela Justiça. Abalados, familiares dos envolvidos se calaram. Na Praça Barão, núcleo principal das negociações envolvendo diamantes na cidade, o dia foi de muitos comentários e movimentação irrisória. Todas as pessoas detidas são acusadas de integrar uma quadrilha especializada no comércio ilegal de pedras preciosas. As pedras eram extraídas em cidades de Minas Gerais, lapidadas em Franca e vendidas a compradores da América Central, Europa e Ásia. Dos 31 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, 14 foram cumpridos em Franca. Resultaram na apreensão de dinheiro, carros, diamantes, apetrechos para lapidação, documentos e computadores. Todo o dinheiro apreendido - R$ 700 mil e US$ 10 mil - foi depositado em conta judicial. O restante do material passará por análise pericial para determinar valor pecuniário e utilidade probatória. Durante as ações da PF quarta-feira, em cinco cidades do interior paulista e mineiro, sete pessoas foram presas em Franca. Gadi Hoffman, israelense, foi apontado como um dos fortes compradores de diamantes da quadrilha. A lista ainda tem Isalto Donizete Pereira, Mozair Ferreira Molina e André Cintra Alves, comerciantes que atuam na compra e venda de pedras preciosas. O lapidário José Roberto Assis também está na lista. Um irmão de André foi preso no estacionamento de veículos da família sob a acusação de porte ilegal de arma de fogo. Ele acabou recolhido à cadeia do Guanabara. Do grupo, ainda faz parte uma mulher, cuja identidade é um mistério (leia mais em texto de apoio). Os acusados passaram a quarta-feira na Delegacia da Polícia Federal e foram levados para os CDPs à noite. A mulher está na penitenciária feminina da cidade. A polícia não informou como eles passaram a noite. Advogados ouvidos pela reportagem disseram apenas que os clientes estão "bem". Maiores detalhes não foram revelados. A defesa de André Alves ingressou com um requerimento de liberdade provisória junto à Segunda Vara da Justiça Federal em Franca. Simultaneamente, entrou com um habeas corpus no TRF (Tribunal Regional Federal), em São Paulo, pedindo a soltura com base no direito de responder ao processo em liberdade. Luiz Roberto Barci, que atua na defesa de Mozair Molina, também adotou as mesmas medidas solicitando a revogação da prisão preventiva do cliente. "Não será simples, mas temos esperança. Ele tem firma constituída e notas fiscais de mercadorias. A situação comercial dele é totalmente regular". Não há manifestação da Justiça a respeito. Os outros advogados não foram encontrados para falar sobre as providências tomadas. Entre os 11 detidos preventivamente pela Polícia Federal, oito também foram autuados em flagrante delito em razão do material encontrado em sua posse. Neste caso, uma eventual soltura será ainda mais difícil. Enquanto uns tentam a liberdade, outros se esforçam para não serem presos. Fontes ligadas ao comércio de pedras preciosas em Franca informaram que alguns comerciantes deixaram a cidade e estão tentando um habeas corpus preventivo, mecanismo legal previsto pelo Código de Processo Penal e usado para evitar que uma pessoa seja presa. Há pelo menos quatro mandados de prisão em aberto. Entre os procurados, está um homem de origem turca, apontado pela polícia como um dos comandantes da organização criminosa.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários