Polícia Federal prende sete em Franca na ‘Operação Quilate’


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<b>PRISÃO EM CASA</b> - O comerciante Isalto Donizete Pereira é conduzido por policial federal na manhã de ontem. Na residência do acusado, na Morada do Verde, foram apreendidos R$ 600 mil e US$ 10 mil
<b>PRISÃO EM CASA</b> - O comerciante Isalto Donizete Pereira é conduzido por policial federal na manhã de ontem. Na residência do acusado, na Morada do Verde, foram apreendidos R$ 600 mil e US$ 10 mil
Franca foi o principal alvo de uma megaoperação da Polícia Federal deflagrada, ontem, em cinco cidades para desarticular uma organização criminosa internacional voltada para o comércio ilícito de diamantes sem procedência legal e para a realização de operações de câmbio não autorizadas. Sete pessoas foram presas em ações simultâneas na cidade e pelo menos duas estão foragidas. Os acusados vão responder pelos crimes de usurpação de bens minerais pertencentes à União, receptação, formação de quadrilha, contrabando e crime contra o sistema financeiro nacional. Somadas, as penas podem chegar a 30 anos de prisão. Além das prisões, também foram cumpridas dezenas de mandados de busca e apreensão em escritórios de comerciantes de pedras preciosas, factorings e em imóveis de doleiros e agiotas. As investigações começaram há cinco meses e teriam sido desenvolvidas basicamente por meio de escutas telefônicas. Mantida em sigilo absoluto, a operação foi batizada de "Quilate". Na madrugada de ontem, 140 policiais federais saíram às ruas para cumprirem 31 mandados de busca e apreensão e dez de prisão preventiva em Franca, São José do Rio Preto, Frutal (MG), Uberlândia (MG) e São Paulo. As ordens foram expedidas pela 2ª Vara da Justiça Federal de Franca. No total, foram presas 12 pessoas. Apontada pela Polícia Federal como polo de receptação de diamantes e sede da organização criminosa, Franca foi palco de sete prisões. As autoridades se recusaram a divulgar os nomes e endereços dos envolvidos, alegando segredo de Justiça. Após um trabalho de apuração junto a uma rede de contatos, formada por lapidários e advogados, que durou 12 horas, a reportagem do Comércio da Franca identificou cinco dos acusados. Foram presos Isalto Donizete Pereira, Mozair Ferreira Molina - comerciantes que atuam na compra e venda de pedras preciosas -, o lapidário José Roberto Assis e o comerciante André Cintra Alves, dono de estacionamento de veículos e que também estaria negociando diamantes. Entre os presos ainda há um israelense e uma mulher, cujas identificações não foram possíveis. Todos estão recolhidos na Delegacia da Polícia Federal em Ribeirão Preto. Um irmão de André também foi preso em flagrante e está na cadeia do Jardim Guanabara, mas sua detenção não tem relação com a operação. Por isto, a reportagem optou por preservar seu nome. Policiais encontraram uma arma no local. Ele foi indiciado por porte ilegal. Na casa de Isalto, localizada no Condomínio Morada do Verde, os policiais apreenderam R$ 600 mil em notas de R$ 50 e R$ 100 e cerca de US$ 10 mil. Uma mulher que estava na residência se limitou a dizer aos repórteres que foi orientada pelo advogado a não dar declarações. O israelense é um personagem relativamente conhecido no meio em que atua. Fala português com forte sotaque e é visto com frequência ao lado de diamantários na Praça Barão. Foi preso no hotel em que se hospeda na região central. Com ele, os policiais apreenderam 90 pedras de diamante. Ele disse à polícia que elas estão avaliadas em R$ 1 milhão. [FOTO2] Outro conhecido comerciante de pedras preciosas escapou da prisão porque havia viajado por acaso para São Paulo. Seu filho foi detido para averiguação e liberado em seguida. Em cumprimento aos mandados de busca em Franca, os policiais apreenderam três Pajeros, um Crossfox, um Citroen, computadores e documentos diversos. "A operação visa desarticular uma organização criminosa, voltada para o comércio internacional e nacional de diamante e gemas, brutas e lapidadas, bem como para a realização de câmbio não autorizado de dólar-cabo (sem tramitação física) e câmbio manual de euros e dólares", afirmou o delegado Felipe Eduardo Hideo Hayashi. Segundo o policial, as investigações apontaram o exercício contínuo e habitual de atividades clandestinas consistentes na aquisição e venda, com remessas de diamantes a países da Europa, Oriente Médio e América Central. A Polícia Federal informou que a operação continua e que novas prisões podem acontecer.

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