Índio natureza


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"Nada neles é implorante ou ameaçador. São amigos. Das águas, dos peixes, dos mistérios do rio... Já eram assim, antes de todos nós... Vidas de manhãs frescas, cabelos e risos oferecidos ao vento brando e às águas calmas...". O texto de Sérgio Lara traduz com todas as palavras a exposição Índios, do renomado fotógrafo Egberto Nogueira, que registrou o cotidiano na tribo Guajá. Os mais de 30 painéis, coloridos e em preto e branco, expostos na Secretaria Única do Sesi Franca, reproduzem com riqueza de detalhes a naturalidade, a simplicidade e a felicidade do povo indígena. Os rituais para a fertilidade do solo e para a caça, os banhos no rio, as brincadeiras das ingênuas e felizes crianças, e, principalmente, a relação de respeito e exemplo entre o homem e a natureza. O sentimento e a expressão sincera de cada awá ("pessoa", "gente", na língua da tribo) são perceptíveis no trabalho do fotógrafo, que em abril de 2000 registrou a rotina da tribo, localizada na região denominada pré-Amazônia brasileira, no Maranhão. São poucos os indícios da influência dos karaí (homem branco), percebida apenas em algumas vestes e no uso de panelas e sabão. De natureza nômade, o grupo indígena vêm se fixando em alguns territórios por questões de segurança, para garantir a existência das próximas gerações, já que a tribo enfrenta ameaças de grupos madeireiros e de extração mineral. Quando foram identificados, na década de 1970, os Guajás eram 600 integrantes, mas hoje somam apenas 250. Uma das formas de preservação da cultura dos índios Guajás é contada na mostra, assim como são narrados vários costumes da tribo. A matriarca Meraketxiá cedeu o seu terceiro marido, Taitakuará, para a neta quando ela tinha apenas 11 anos. O casal teve dois filhos e todos moram juntos. Agora, aos 23 anos o neto está sendo preparado para assumir o lugar da avó. A harmonia da tribo com a natureza e os animais é impressionante. Quando a fêmea morre na caçada, os homens levam os filhotes órfãos para as mulheres em fase de aleitamento os alimentarem (foto) e criarem até a fase de abate. Seus filhos chegam a dividir o leite materno com filhotes de porco-do-mato, jabuti, cutia e macacos. Essa cultura tão distante da nossa realidade tecnológica, da convivência violenta e da relação destrutiva com o meio ambiente tem muito a nos ensinar. "A mensagem da mostra é sentida individualmente, por cada pessoa que visita e faz sua própria leitura das fotos. Ninguém sai de uma exposição sem ser tocado emocionalmente de alguma forma", ressalta Ana Maria Borges, auxiliar administrativa do Serviço Caixa de Cultura do Sesi Franca. <b>HISTÓRICO</b> Egberto Nogueira é conhecido pela sensibilidade e o apuro estético presentes em seus trabalhos voltados para temas sociais. Acumulou, ao longo da carreira iniciada em 1988, registros de momentos históricos importantes, como o embate entre Collor e Lula em 1989 e a campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso. Pelos ensaios sobre o sistema de saúde no Brasil, Egberto tem em seu currículo duas premiações: Prêmio Abril de 1995 e, na mesma época, Prêmio do Conselho Médico Federal. Dentre outros importantes e reconhecidos trabalhos, constam os registros do difícil cotidiano dos catadores de caranguejo do Piauí e do caos do transporte coletivo urbano da cidade de São Paulo. Após passar pelas redações de respeitadas publicações nacionais, como a revista Veja, Egberto Nogueira vem atuando como fotojornalista independente. Seus trabalhos, com freqüência são encontrados em veículos internacionais como L` Express, The Face e Sunday Review. Recentemente, o fotógrafo criou e organizou a Ímã Foto Galeria de São Paulo, já reconhecida como um dos espaços mais democráticos da fotografia brasileira e que concentra um dos maiores acervos do país. <b>SERVIÇOS</b> Exposição: Índios Local: Secretaria Única do Sesi Franca - Avenida Santa Cruz, 2870 - Vila Scarabucci Datas e horários: até 24 de agosto, de segunda a sábado, das 9 às 17 horas. Informações: (16) 3721-1444 ramais -229 e 218. Entrada: gratuita

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