O chicote


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Das alturas de sua experiência na construção da família, da gestão de vida aprimorada durante seus 90 anos de existência, da facilidade de expressão para colocar pingo no i, dona Quita falou ao Comércio da Franca na semana que passou. Entre os que leram sua entrevista, desejo tributar-lhe homenagens por ter vivido em um momento em que a responsabilidade existia, não somente, para constar do dicionário, mas, também de permeio com as ações de pessoas bem formadas. Das belezas de seus guardados revelados, consta um chicote usado para corrigir os filhos, incluindo um futuro prefeito. Segundo afirma dona Quita: "naquele tempo podia bater". No entanto, mudanças ocorreram, minimizando a qualidade moral e cívica. Aboliram o chicote e proibiram o trabalho para os jovens, ativaram a liberalidade e acabaram com o respeito, regras e disciplina só se registram agora, nos dicionários. Estão ausentes das salas de aula, dos lares, nas vias públicas e nas relações humanas. Nada melhorou na educação da juventude depois do cerceamento da liberdade de punir, exercida antes por pais e professores. Ganhamos? Sim, ganhamos grande avanço no mercado e consumo de drogas, rebeldia e violência em todos os espaços por onde transita a sociedade. Dona Quita, sua lembrança e manutenção do chicote pendurado em um cômodo de sua casa, embora sem uso, enseja-me rogar-lhe por empréstimo, devolvê-lo a cena neste mundo conturbado onde falta o chicote e a palmatória, construtores de boa educação. Seria muito bom restabelecer a presença do chicote na sociedade, ou se desejarem, açoite ou relho que seria o mesmo em resultados, logicamente acompanhado de sua liberação de uso. Eu iria me divertir bastante açoitando apressadinhos néscios liberados na via pública, ameaçando pessoas com suas máquinas poderosas. Não importa a cor mostrada no farol regulador do trânsito, avançam como se a vida fosse um bem sem nenhuma importância. Tem sido prática geral sobre as faixas de segurança para pedestre e sinal vermelho. um convite a insanas aventuras. Oficialmente registrou-se neste Comércio, acidente de proporções, apesar de cuidados adotados com instalação de semáforos, – providencia inteligente – na esquina de Saldanha Marinho com Ismael Alonso Y Alonso. A causa? Como muito acontece, desrespeito a sinalização: uma mulher ignorou o vermelho para atingir outro veiculo, atravessando a avenida de maneira absolutamente regular. Vêm de priscas eras o uso do chicote; bastando uma referência à entrada de Jesus na área circundante ao Templo de Jerusalém, onde mercadores – levados pela ganância –, sem escrúpulos, desfrutavam do recinto em atendimento a seu famélico objetivo de fortuna. Para o Nazareno, não eram consonantes os princípios para a casa do Pai. "Vós testemunhastes neste dia o que está escrito nas escrituras: `A minha casa será chamada de uma casa de oração para todas as nações, mas fizestes dela um covil de ladrões`". Eis aí dona Quita, no que foi transformado o Senado brasileiro, organismo criado para reunir reservas morais, com experiência de vida, a servirem como conselheiros da república: um ninho de marginais, um covil de ladrões. É chegado o momento de armar o País com alguns milhões de chicotes e promover o grande açoite aos depravados e mentirosos, colocando-os onde eles caibam com suas biografias: a cadeia. Garcia Netto Jornalista

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