Senado, Sarney, cena burlesca


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Em relação ao Brasil, sou mais ufanista do que pessimista. Talvez, por força da profissão e das oportunidades que ela me dá de conhecer diversos países e diversas culturas, tenho orgulho em ser brasileiro e abomino os pessimistas. Mas, apesar disso e por isso, acho impossível não me frustrar com as notícias que chegam do Planalto Central, mais especificamente do Senado Federal. Foi lastimável o que a TV mostrou, no último dia 4, da discussão(?) entre os senadores Pedro Simon, Fernando Collor, Renan Calheiros, com a participação especial do `chorão` Cristóvam Buarque e do falastrão Arthur Virgílio (que corre o risco de parar no Conselho de Ética – se bem que isso não queira dizer grande coisa). Lastimável e lamentável, porque constato que o Senado brasileiro tem sido capítulo a parte na história recente do País. Nos últimos 10 meses, o mundo e o Brasil discutem e tentam superar, da maneira mais rápida e menos traumática possível, a crise financeira mundial e, pelo o que estamos presenciando, parece que o Senado nem toma conhecimento disso. Aliás, o que se observa é que outra crise se instala no Senado, a política, que já compromete a agenda de votações existente e, portanto, causa prejuízo certo ao País. A troca de acusações entre antigos parceiros (de politicagens e maracutaias) e o envolvimento, também, de senadores que possuem uma terrível ficha política (para não dizer policial), nos leva a ver o Senado como um grande circo. Além disso, vemos a exacerbação de antigos vícios da política brasileira (e mundial) permeando as relações em Brasília. A oposição, capitaneada pelo PSDB e pelo DEM, cerrando fileira contra seu antigo aliado (Sarney) e a base do governo defendendo seu antigo inimigo (Sarney). Não há quem me convença que política é isso. Existe uma realidade por trás das ocorrências atuais, envolvendo o atual presidente do Senado (Sarney), que não pode ser escondida. Os descalabros e escândalos que são objetos das denúncias não foram, certamente, iniciados no seu mandado. São práticas antigas que sempre tiveram a conivência daqueles que, hoje, pedem o seu afastamento. É uma grande cena burlesca. Essa cena se torna ainda mais cômica (para não dizer decepcionante) quando vemos nas entrelinhas da ação da oposição uma tentativa de desestabilizar o governo petista (através de seus aliados situacionistas: Sarney & Cia.) visando seu enfraquecimento na sucessão presidencial e, me parece, que o Lula e o PT estão embarcando nessa. Afinal, Lula, com toda a sua experiência de negociador, deveria saber que, mais cedo ou mais tarde - conforme a pressão política e social - o PMDB pulará fora do apoio ao seu correligionário (Sarney) e deixará o governo, mais especificamente o Lula, fazendo sozinho a defesa da sua permanência na presidência do Senado. Alguém me disse, dias atrás, que política é assim, convergência de interesses. Não concordo e não aceito isso. Pois a tal da governabilidade, que tantos alegam nesses momentos de `convergência`, se for buscada sem escrúpulos e princípios, leva à negação da história individual e coletiva, de conquistas e avanços e, no final, a sociedade acaba violada e desrespeitada. É por isso que, nas questões da vida pública, eu ainda prefiro os homens e mulheres politicamente românticos aos oportunistas, ludibriadores e fanfarrões. Cassiano Pimentel Agente de Exportação e professor universitário

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