Em um desabafo escrito em 37 linhas e enviado à imprensa, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) protestou, ontem, contra o governo federal. O tucano irritou-se com o fato do Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador), órgão ligado ao Ministério do Trabalho, não atender os sapateiros com as parcelas extras do seguro-desemprego. Sidnei havia enviado ofício ao Codefat, em julho, solicitando o benefício para a categoria. Ele não foi atendido e sequer teve resposta ao seu pedido. “Me intriga a falta de esclarecimento e atenção”.
<b>Ouça abaixo o relato do prefeito Sidnei Rocha:</b>
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O ofício de Sidnei ao Codefat atendeu a uma solicitação do Sindicato dos Sapateiros. Em junho, a entidade protocolou em Brasília dados do setor calçadista francano e pediu ao prefeito que reforçasse o pedido das parcelas adicionais. De acordo com os números, Franca perdeu 3,8 mil postos de trabalho entre novembro de 2008 a maio de 2009. Se isso não bastasse, o setor enfrenta retração da economia com a queda nas exportações - para os Estados Unidos e Europa -, a concorrência com os produtos chineses e a queda nas vendas para a Argentina - segundo maior comprador de sapatos. Juntos, esses ingredientes frearam as contratações na indústria.
As argumentações do prefeito e sindicato não convenceram os conselheiros do Codefat. Eles não atenderam às reivindicações de Franca e deixaram a maior categoria da cidade fora das parcelas extras do seguro-desemprego. “Os trabalhadores da indústria precisavam ter esse retorno. Foi uma total desatenção, mas não ao meu pedido. Não deram a mínima foi para os sapateiros. O que é lamentável”, disse o prefeito, ao Comércio, por telefone.
Para Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sapateiros, a manifestação do prefeito reforçará o pedido da categoria. “É autoridade constituída cobrando para a cidade que ele governa. Está correto. Até agradecemos”.
<b>SEM RESPOSTAS</b>
Procurado pelo Comércio, o Codefat não respondeu às questões que tratavam basicamente dos critérios utilizados para atender as categorias e dos motivos de os sapateiros não terem sido contemplados. A assessoria do Ministério do Trabalho enviou, por e-mail, três textos publicados sobre o assunto alegando que eles esclareceriam as dúvidas.
As matérias não especificam claramente os critérios analisados. Dizem, apenas, que é feita uma média histórica do saldo de emprego entre 2003 e 2009. Caso a última média apresente resultado negativo acima de 30%, o setor é contemplado com as parcelas adicionais. A assessoria não divulgou qual teria sido a média do setor calçadista de Franca. A mais recente divulgação sobre a liberação do benefício foi no mês de março. À época, foram contemplados 900 desempregados de Franca dos setores da borracha, couro e metalúrgica.
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