Como está a indústria européia?


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Com o término de mais uma Francal de moldes tradicionais, com poucas novidades, lançamentos esperados e sem novidade digna de nota, a vida voltou ao normal. Algumas indústrias voltaram satisfeitas,outras nem tanto, mas a vida continua. Assim como continua a crise, em âmbito global; o Brasil, até agora, saindo-se relativamente bem; surpreendentemente, até na indústria de calçados. Tivemos fechamentos, tivemos demissões, ainda as teremos, mas nada que se compare com o ocorrido digamos, na Itália, na Espanha ou Alemanha, países tradicionais, berços da indústria de calçados. O último número da revista World Footwear traz entrevista com presidentes das Associações da Indústria de Calçados dos três países, e a tônica dos três pronunciamentos é a mesma: a crise mundial nos afetou tanto pela via de queda no consumo do mercado interno como pela queda nas exportações, bem como pelo aumento de importações de produtos de países orientais. Segundo o presidente da ANCI italiana, signore Fabio Aromatici, em 2008, na Itália, fecharam 187 firmas calçadistas de certo porte. Não adianta analisar as porcentagens publicadas quando não se tem acesso aos números que as originaram. Um por cento sobre um milhão é muito mais do que trinta por cento sobre mil, mas a impressão do número citado na porcentagem é bem mais forte. Na Espanha e na Alemanha os quadros são parecidos, agravados ainda pela queixa alemã sobre cancelamentos, inadimplência e calotes da Rússia. Novamente, as porcentagens publicadas pouco nos dizem sobre a situação real. Porém, um otimismo oficial, um pouco forçado, nos diz que a situação poderia ser mais favorável. Um empresário, por dever do ofício, sempre deve ser otimista, mas com uma dose de realismo bem acentuada. A própria revista World Footwear não é mais como era. Foi criada pela junção de duas revistas especializadas nos problemas da indústria calçadista mas está emagrecendo a olhos vistos. Na edição de julho/agosto de 2009 estão 10 anúncios pagos; isso, numa revista que há três ou quatro anos trazia sempre de 50 a 60 anúncios das maiores firmas do setor. Pela primeira vez, no número que li, não encontrei anúncio da Desma, alemã. Nas três últimas edições já faltavam anúncios da gaúcha Flecksteel, que havia anunciado durante anos. Anúncios das firmas orientais? Nem pensar, embora entre os dez anúncios desta edição esteja um de firma chinesa, mas é joint-venture com outra dos Estados Unidos, o que de certa forma explicaria o motivo do anúncio. Se uma das últimas revistas sérias do setor desaparecer, não restará ao pobre calçadista outro remédio para se atualizar do que apelar à Wikipedia ou Twitter. Os consumidores demorarão a sentir, mas com passar do tempo, com certeza, sentirão. E, viva a crise que não existe! <b>Zdenek Pracuch</b> <i>Sapateiro, shoemaker</i> pracuch@comerciodafranca.com.br

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