O pão da vida


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No domingo passado, acompanhamos a narração de São João sobre o sinal de Jesus, na multiplicação dos pães. Neste domingo nos é oferecida a explicação de Jesus quanto ao significado daquele sinal: Jesus é o verdadeiro pão descido do céu, o Pão da Vida. Pão da vida eterna, pão que sacia definitivamente a fome, transforma o homem, abre o caminho da santidade para aqueles que dele se alimentam. As leituras proclamadas são: Êxodo 16; Efésios 4 e São João 6. O livro do Êxodo relata a revolta do povo eleito, que sente fome na travessia do deserto e, ao reclamar, o Senhor os alimenta com o pão enviado do céu. O povo se queixa por enfrentar o sofrimento, Deus não possui uma reação severa, ele não castiga, responde enviando o maná. Na nossa vida de cristãos existem períodos de desânimo, mas não devemos estranhar se passa pela mente a idéia de que talvez seja melhor ficar longe de Deus. Ele não fica irritado por causa das nossas fraquezas, nem fica indignado por causa dos nossos pecados. Deus não nos castiga, mas se aproxima ainda mais de nós, nos mostra provas do seu amor, novos sinais da sua presença. O maná que Deus oferece não podia ser guardado de um dia para o outro e revela ao povo, a necessidade de mostrar confiança no amor providencial do seu Deus. Nós também sentimos "muita fome" na nossa vida: fome de pão, de liberdade, de amor, de paz, de fraternidade, de estima, de felicidade. Quando rezamos o Pai-Nosso pedimos a Deus que nos dê o necessário para cada dia, sem acumular coisa alguma. Deus nos escuta e nos oferece a "salvação" que vem do céu. A carta aos Efésios, que é o trecho da segunda leitura, oferece conselhos práticos para os cristãos. A tentação de abandonar a Deus sempre existirá e o cristão deve sempre se lembrar que se tornou uma "nova criatura". O texto nos fala do homem velho e do homem novo. O homem velho representa a vida de pecado, as paixões enganadoras e o homem novo representa a criatura nascida da água do batismo e completamente transformada no seu comportamento moral. O evangelho vem explicar o significado da multiplicação dos pães de cevada e dos poucos peixes que saciou a fome do povo e ainda sobrou. O povo busca a Jesus com interesse. Não o procura para escutar mais palavras suas, para penetrar mais a fundo na sua mensagem, mas porque comeu pão em abundância, de graça. Jesus ilumina a vida daquele povo dizendo: "não procureis pelo alimento que perece, mas pelo que dura até à vida eterna". Ele quer que os seus discípulos entendam que ele não veio para transformar com sua varinha mágica as pedras em pães, mas para ensinar que o amor e a partilha produzem pão em abundância. Querem a repetição de um milagre, mas teimam em não querer entender plenamente o sentido do sinal. O que fazer para não alimentar dentro de nós, expectativas errôneas? A resposta nos é dada na segunda parte do evangelho de hoje. "Esta é a obra de Deus: acreditar naquele que ele mandou". Não se pede outra coisa. A fé em Cristo não se reduz a raciocínios. Pressupõe a escolha de unir a própria vida com a dele na doação de si aos irmãos. É por isso que o pão que Jesus multiplicou podia ser recolhido o que sobrou e guardado com a chance de ser distribuído novamente, perfeito e saboroso a todos os que sintam fome. Mas o que é este "pão do céu"? Jesus esclarece: "Eu sou o pão da vida": quem vem a mim não terá mais fome, quem crê em mim não terá mais sede". O mundo tem muitas ofertas de "pão", que saciam temporariamente, mas, de repente, a fome volta. O único pão que sacia a nossa necessidade de felicidade e de paz é a palavra de Cristo. É necessário concluir assim: no deserto, o povo recebeu o maná, um alimento que comunicava vigor a um corpo, cujo destino era, de qualquer forma, a morte. Hoje Deus alimenta o seu povo com o pão da vida, com a sua Palavra, que é Jesus de Nazaré. José Geraldo Segantin Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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