A realidade da Câmara


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Vereador, diz a clássica definição, é o representante do povo, eleito por esse para a função de fiscalizar o trabalho do prefeito e os gastos ligados ao orçamento municipal. Bem, já está na hora de vermos os vereadores desenvolvendo funções maiores do que essas pois há, atualmente, outras estruturas de fiscalização pública muito mais eficientes e objetivas, a exemplo do Ministério Público, do Tribunal de Contas, do Orçamento Participativo e dos Conselhos Municipais (se bem que esses últimos podem ser facilmente manipulados). Este Comércio trouxe, recentemente, uma polêmica sobre o papel subserviente que a maioria dos nossos vereadores presta ao Executivo local. Também chamou a atenção para com a baixa produtividade dos mesmos. Como ex-candidato a vereador, sou obrigado a admitir que os eleitos são bons de votos e, nesse quesito, melhores do que eu. Mas, como candidato não eleito, sinto-me mais do que autorizado a questionar o que esses representantes do povo têm feito. Não quero achar que o número de projetos apresentados pode, ou não, tornar boa ou ruim, uma gestão. Não acredito que a quantidade de projetos apresentados é o que qualifica o parlamentar. Inclusive, temos histórico de uma quantidade enorme de projetos apresentados que se tornaram ridículos. O desempenho do vereador pode ser evidenciado na sua participação pública no dia-a-dia da cidade. Infelizmente, poucos são os que querem `participar` fora do expediente obrigatório, de algumas horas nas sessões das terças-feiras. Infelizmente, para alguns, e não adianta dizer o contrário, ser vereador é hobby, vaidade ou emprego fácil. Aliás, os vereadores deveriam ser questionados sobre suas funções (refiro-me às funções modernas do Legislativo). Certamente muitos terão(?) vergonha de suas próprias respostas. Como eu disse, são apenas bons de voto. A verdade é que dificilmente vemos vereadores participando da vida real da cidade. Temos uma realidade local em que o atual prefeito não tem interesse e não estimula a discussão sobre o presente e o futuro da cidade. É, indiscutivelmente, um prefeito maquilador, sem noção de políticas públicas e comunicador esperto (bom de voto). Por isso, a Câmara desse momento de grandes desafios e mudanças, deveria `fazer a diferença`. Deveria ser a estimuladora - na ausência absurda do atual Executivo - de uma discussão moderna e participativa de toda a sociedade, para que rumos pudessem ser sugeridos e definidos para a cidade e para o seu desenvolvimento planejado e socialmente mais justo. Mas não! É pedir muito para determinados vereadores, políticos que, todos sabem, passarão e não deixarão saudade; só lamentáveis fotos penduradas no salão de entrada. A História é cruel com todos aqueles que não souberam atuar à altura da oportunidade que lhes foi dada. Somos, ainda que pese descrença de muitos, uma grande cidade que cresce, desenvolve-se e transforma-se, diariamente. Não precisamos de salvadores, iluminados ou, simplesmente, políticos bons de votos. Precisamos de articuladores e executores das mudanças que Franca necessita para garantir o seu bem estar social e econômico num futuro tão incerto. Cassiano Pimentel Agente de exportação e professor universitário.

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