A Justiça condenou ontem a 16 anos de prisão em regime fechado o comerciante aposentado Fued Maluf, 77. Maluf é o penúltimo acusado de envolvimento no assassinato do ex-prefeito de Igarapava, Gilberto Soares dos Santos, o Giriri, ocorrido há 10 anos. O último dos 14 envolvidos que ainda não foi julgado é o vereador Sérgio Augusto Freitas (PP), vice-prefeito do município na época do crime.
A sessão do júri, realizada em Franca, começou às 9 horas e terminou poucos antes das 18 horas, quando o juiz Lúcio Enéas leu a sentença. De acordo com o promotor Carlos Constantino, o desaforamento (quando o julgamento é feito em cidade diferente da de origem), foi necessário para que houvesse isenção dos jurados.
Fued Maluf entrou no tribunal do júri amparado por um enfermeiro e andando sobre cadeira de rodas. A tática da defesa, no entanto, não sensibilizou os jurados, que o declararam culpado pela participação no crime. Condenado por homicídio qualificado, teve a pena inicial de 12 anos dobrada. Como tem mais de 70 anos, o réu se beneficiou do direito à redução de um terço do total, o que reduziu a sentença para 16 anos.
Maluf teria sido um dos financiadores do esquema que levou à morte de Giriri. Foi ele quem teria dado os R$ 25 mil usados para comprar o veículo que deu fuga aos matadores do prefeito e para o pagamento dos assassinos.
Para o promotor Constantino, sua condenação foi uma vitória. “Mesmo com todas as evidências, não é fácil saber como os jurados podem se comportar vendo uma pessoa que entra debilitada na sessão”, disse o promotor. “De qualquer forma, o resultado foi muito positivo”.
Com a condenação de Fued Maluf, o MP deve oferecer a denúncia para o último acusado do envolvimento e participação no assassinato do ex-prefeito. O vereador Sérgio Augusto de Freitas era o vice-prefeito quando Giriri foi morto. Chegou a assumir a prefeitura e como tinha privilégio de foro, o processo que apurava sua participação foi conduzido pela Procuradoria do Estado.
No dia 18 de março desse ano, Serginho e mais quatro vereadores foram presos depois de serem flagrados em operação do Ministério Público extorquindo o prefeito Francisco Tadeu Molina.
O promotor Carlos Constantino ainda não sabe quando o vereador Serginho irá a júri. “Depende dos trâmites judiciais, mas estou esperando por isso ansiosamente”.
O assassinato de Giriri, morto com 11 tiros, chocou a cidade e a região e teve grande repercussão na imprensa. A morte do prefeito teria sido encomendada por um grupo de antigos aliados políticos.
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