`Você não acredita que o homem desceu na Lua? Nãããããooo?`. Perguntam-me com incredulidade maior que a minha, com relação ao fato. Não. Não acredito, respondo. Via de regra, a maioria bota um ponto final na conversa. Uns saem convictos de que agora não tem jeito, pirei de vez.
Outros dão um risinho de escárnio, talvez confirmando para eles mesmos que, com certeza, trata-se de mais uma idiossincrasia minha, que só perde para a da conhecida que votou no Enéas quando candidato à presidência da República. Há quem se ria escondido e justifique assim na presença de outros: `Opinião dela, minha filha, deve ter sentido`, como se eu fosse uma autoridade em qualquer assunto e minha opinião fosse pontual. Nada disso faz sentido. Estou sanzinha. Essa conclusão é fruto de observações e pesquisas e nada me impede de voltar atrás, caso um dia seja convencida do contrário. Por enquanto, não fui.
Voltemos a 1969. Rússia e Estados Unidos naquela briga. Quem é o maior? O melhor? O mais isso, o mais aquilo? E a Rússia sai na frente. Logo em seguida, os Estados Unidos mandam, não um homem para o espaço, mas três para Lua. E nunca mais repetiriam a façanha - argumento que dá início à série de outros na minha discussão antiamericanos. Visitei a Nasa, vi o protótipo dos foguetes, o tal pedaço da pedra da lua, os meninos tiraram fotos de uniforme e capacete e, acho, nelas eles riem de mim, porque olhei as tais evidências com tanta incredulidade que devo ter incomodado a todos, com meu ceticismo.
Eu acho que tudo não passou de encenação num estúdio. Quer ver? Na lua não tem atmosfera, não venta. O que faz aquela bandeira tremular como se estivesse sendo embalada por alguma brisa? E as pegadas? Não podia existir pegada alguma - não existe umidade, não existe oxigênio. Tem a disparidade do tamanho da Terra com relação ao tamanho da lua. A lua tem um quarto do tamanho da Terra. Vista da de lá, deveria se apresentar nas fotos, - mais ou menos - quatro vezes o tamanho como vemos a lua quando cheia. Nas fotos, a Terra se apresenta com dois tamanhos diferentes - um tamanho supostamente certo, outro bem menor do que seria na realidade.
Tem os minúsculos buracos deixados pela nave: quanto ela pesa? Como não deixou uma marca profunda no mesmo solo que um homem com muito menos peso deixou a tal pegada histórica, só com um toquinho? Há cientistas que afirmam ser impossível colocar combustível suficiente para ir e voltar num módulo lunar meio raquítico daqueles. Não existe penumbra na lua. Não pode existir, não tem como; e muito menos sombras - que aparecem nítidas nas fotos, cada uma para um lado, com ângulos diferentes que só existiriam se houvesse um segundo Sol iluminando. Isso, só na música da Cássia Eller, meu...
Pra não alongar, estávamos em 1969. Falar em São Paulo, na época, só com auxílio da telefonista. No mobiles... Internet era sonho do Flash Gordon... Mandar imagens da Lua para cá, com precisão de horário, banda de música? E ai vem mais um argumento: com relação à tecnologia, tanto em 1969 quanto hoje, não seria possível fotografar em ambiente cuja temperatura varia entre 153 graus centígrados negativos e 107 graus centígrados positivos.
Belíssimas imagens, mas pra mim, nada mais que efeitos especiais que George Lucas, Spielberg e Kubrick adorariam ter produzido. Do ponto de vista humano, o argumento mais inquietante diz respeito ao desconforto e perturbação psicológica dos supostos astronautas. Ver a Terra lá de cima por certo contribui para certo desequilíbrio mental. Ajudar numa mentira para toda a humanidade e para sempre, deve ser traumático, o que justificaria a desordem psicológica apresentada por eles.
No entanto, a mais forte razão para minha descrença é a seguinte: o MCDonald`s já invadiu a China, a França, deve estar forçando a entrada até no Afeganistão. Imagina só se não teria patrocinado uma viagem semelhante, nos nossos dias, pra colocar uma bandeira com o M dourado lá em cima, que pudesse ser vista vinte e quatro horas na Terra inteira! De mais a mais, duvidar faz parte da minha personalidade. Em que cartilha está escrito que eu sou obrigada a acreditar nas mesmas coisas, e ver tudo do mesmo jeito que todo mundo, e me calar, se discordo?
<b>SAUDADES</b>
Morro de saudades de Londres. Não do Big Ben, não do metrô, não das galerias de arte. Morro de saudade da certeza que tinha de voltar para casa sem o risco de ser atropelada por apressado motorista ou motociclista. Tenho tido medo de sair às ruas. Motoqueiros e motoristas querem me matar, sabe-se lá a mando de quem. Ponho o pé fora da calçada, surge uma moto. Vou pé ante pé, vem sobre mim um caminhão que vira a esquina e buzina para eu sair da frente dele. Fico esperando, mas qual motorista de carro tem a paciência de me esperar atravessar a rua?
<b>METAMORFOSES</b>
É o sugestivo nome da exposição de gravuras e pinturas que abre no sábado, 1 de agosto, às 20 horas, no Laboratório das Artes - rua Cuba, 1099. Em Franca. E quem expõe é o artista Gerson.
<b>CONCLUSÃO </b>
`Nunca soneguei impostos. Nunca pedi um financiamento. Nunca pleiteei subsídios. Nunca obtive uma concessão. Nunca solicitei um adiantamento. Nunca lutei por uma subvenção. Nunca reivindiquei uma isenção. Devo ser um imbecil`. (No livro Phrase Book, de Roberto Duailibi, sem referência de autor.)
<b>LIVRO</b>
Meu Querido Canalha. Apesar de parecer, não se trata da forma carinhosa como nosso presidente deve se referir a Collor e Sarney. É título de saborosíssimo livro de contos escrito a seis mãos por Ruy Castro, Carlos Heitor Cony, Aldir Blanc, Marcelo Madureira, Bráulio Pedroso e Geraldo Carneiro. Destaque para o primeiro conto, La petit mort, de Ruy Castro e para o último, Agnus Dei, de Marcelo Madureira. Comprado no Natal pela internet e lido na Serra da Bocaina, durante o período do réveillon, ao som de Tangos Among Friends, uma rara apresentação do maestro Barenboim ao piano, dica sonora para aficcionados da boa música.
<b>Lúcia Helena Maniglia Brigagão</b>
<i>Jornalista, publicitária e membro da Academia Francana de Letras</i>
luciahelena@comerciodafranca.com.br
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